As cidades inteligentes em um ambiente favorável ao mercado imobiliário foi tema amplamente discutido durante o painel ‘Fatos e provocações: desafios e experiências de IoT e smart cities‘, da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMA) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), no 91º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC). Especialistas apresentaram iniciativas nacionais e internacionais, analisando o uso da tecnologia a favor da população e a adaptação de edificações às demandas do futuro, mantendo os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), conforme idealizado no projeto ‘Finanças e Negócios Verdes para a Indústria da Construção’, realizado pela CBIC com a correalização do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional).

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Nilson Sarti, presidente da CMA e vice-presidente de Meio Ambiente da CBIC, abriu a mesa fazendo um convite aos presentes. “Cada vez mais precisamos empoderar os cidadão a ser protagonistas do desenvolvimento de suas cidades. Deixamos nossa vida nas mãos dos políticos, e o planejamento de longo prazo vai se tornando uma colcha de retalhos, mudando a cada gestão”, destacou.

Silvio Barros falou sobre o projeto Futuro da Minha Cidade, da CBIC, coordenado por ele, que conta com a correalização do Serviço Social da Indústria (Sesi Nacional). A iniciativa procura mobilizar a sociedade organizada para assumir a responsabilidade do planejamento do futuro das cidades para daqui a 20 anos. A proposta é orientar a elaboração de um plano diretor, com envolvimento da comunidade, sem intervenção de partidos políticos.

“Quando falamos de futuro, temos que levar em consideração que a tecnologia vai mudar o mundo, e o ambiente urbano será o primeiro a ser alterado. Planejar sem levar isso em conta seria fatal”, disse Barros. “Considerar a tecnologia de mobilidade pode evitar que sejam propostas no Plano Diretor duplicação de vias e construção de viadutos, que serão subutilizadas, considerando que a tendência é ter menos carros nas ruas”, acrescentou.

O arquiteto Edson Yabiku apresentou conceitos de cidade do futuro e defendeu que projetos bem elaborados e com boas tecnologias beneficiam por mais tempo todas as pessoas envolvidas e o meio ambiente. Ele acumula experiências internacionais na área, como o projeto do Masdar Institute e Central Market Souk, em Abu Dhabi, e do The Index, em Dubai.

“Nossa melhor contribuição como arquitetos, governantes e investidores seria fazer o que é correto. Rever as normativas e os códigos de ocupação urbana que podem estar defasados ou não atendem às necessidades daquela região. A maneira de projetar deve estar associada com a forma que comunicamos a performance, a eficiência, o resultado do projeto, seja um edifício ou uma cidade. Essa transparência é muito importante para auxiliar a utilização dos produtos da melhor forma e a conservação por mais tempo. Obras bem executadas e bem planejadas melhoram o desempenho, ampliam a vida útil da edificação.

Yabiku, que também trabalhou na empreiteira Obayashi Corporation, em Tóquio, e na britânica Foster + Partners, ressaltou a importância de construções sustentáveis. “Prevenir é mais barato que remediar. É mais vantajoso diminuir a demanda antes de precisar gastar, por exemplo, energia com ar condicionado. O ideal é já desenhar o edifício que vai reduzir esses gastos.”

José Piquet, presidente do Parque de Inovação La Salle Technova, discutiu soluções de urbanização, como a cidade sustentável que vai se conectar com os edifícios, e como o setor de construção civil pode aproveitar as tecnologias disponíveis. Ele é um dos idealizadores do 22@ Barcelona, bairro da cidade centenária, que se transformou em laboratório urbano de referência para o mundo sobre o conceito de smart cities.

“A tecnologia está transformando vidas, formas de viver e as cidades também. Hoje é possível trabalhar e morar no mesmo lugar, já que as informações da minha empresa estão nas nuvens. Os espaços de coworking e cohouse são cada vez mais comuns”, contextualizou.

Ressaltou a importância de cada cidade,independente do seu tamanho, se atualizar,se modernizar, evitando assim que osjovens que sairam para estudar emuma metrópole maior não retornem as suas casas. Cidades que não se atualizam, perdem seus jovens, perdem a oportunidade do reigresso dos seus como vetor de desenvolvimento para a terra natal.

Por fim, destacou a importânica de que: nós assumimos diversos papéis durante o dia, somos pais que levamos nossos filhos à escola, nos deslocamos até o trabalho, realizamos compras de necessidades diárias e retornamos para nossas residências com a possibilidade de ter ummomento de lazer com nossa família. Assim, entendemos que as cidades devem ser adapatadas para atender todas essas demandas, ou seja, associar o lazer às atividades práticas do dia a dia.

Promovido pela CBIC, o 91o Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC) é uma realização do Sindicato da Indústria da Construção no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio) e conta com a correalização da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-Rio) e do Serviço Social da Indústria da Construção do Rio de Janeiro (Seconci-Rio).

Fonte e Imagem: CBIC