A ferramenta permite a compatibilização dos projetos, previsão de orçamentos e programação das etapas de construção
A tecnologia está presente em toda a cadeia produtiva da construção civil. É uma das principais aliadas das incorporadoras no planejamento, eficiência, produtividade e transparência dos processos de gestão, da execução das obras e apresentação dos produtos ao mercado. Por tudo isso, representa um diferencial competitivo relevante. E a grande novidade, que deve ser absorvida no curto prazo pelas empresas do setor, é o BIM (Building Information Modeling).

Esta é a avaliação do presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins. Ele explica que o BIM é um processo que muda completamente a maneira de criar, projetar, construir e manter as construções. A tecnologia já está consolidada em diversos países e terá um impacto positivo importante sobre as obras públicas no Brasil, pois levará eficiência, redução de custos e mais transparência. “A tecnologia e inovação moldarão o futuro do setor nos próximos anos”, aponta.

O vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná), Clovis Inácio Bohrer Filho, confirma que o BIM vai levar mais qualidade a todo o processo construtivo. A ferramenta depende da colaboração multidisciplinar dos profissionais envolvidos na obra e permite a compatibilização dos projetos, previsão de orçamentos e programação das etapas de construção. “Gera mais segurança para a incorporação imobiliária”, afirma.
O presidente da CBIC destaca os custos financeiros e a mudança de mentalidade como os dois principais desafios a serem superados para a implantação de tecnologia e inovação nas empresas. Porém, reitera que o empresário brasileiro caminha na direção do avanço. “A indústria da construção vive um momento de renovação”, garante. Ele diz que os empreendedores do setor já enxergam a tecnologia como investimento, e não como custo, e buscam meios para tornar possível a absorção de novas práticas ao negócio.
Bohrer destaca, porém, que o uso do BIM exige capacitação e investimento por parte das empresas. “Tem que ter hardwares e softwares que não são baratos”, aponta. Em Londrina, segundo ele, o Sebrae/PR realiza um trabalho com 12 projetistas para a implantação da ferramenta. “O BIM nos permite trabalhar com inovações até então não factíveis, como a impressão 3D de uma casa ou edifício”, conta.

PIONEIRISMO

Em Londrina, a A.Yoshii foi uma das pioneiras a utilizar o Lean Construction, que se resume em “enxugar” tarefas durante o processo de construção que não agregam valor ao cliente final. O presidente da incorporadora, Leonardo Yoshii, explica que o método evita a perda de materiais e ajuda a aumentar a produtividade nos canteiros de obras. Ele diz que a empresa também tem estudado a aplicação do BIM para aperfeiçoar a fase construtiva.
O gerente regional da Plaenge em Londrina, Olavo Batista Junior, destaca que drones ajudam nas avaliações de terrenos e na previsão das vistas para a implantação de novas torres. Ele diz que as tecnologias ajudam a refinar o orçamento e cumprir o cronograma planejado. Segundo ele, os engenheiros da empresa viajam o mundo para conhecer as novidades e tendências de mercado. “Devemos estar uns 50 anos atrasados em relação à Europa, não só pelas barreiras tecnológicas, mas políticas e normativas”, lamenta.

HACKATHON DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Para conectar as grandes empresas do setor às chamadas Construtechs, startups que desenvolvem soluções para a cadeia da construção e mercado imobiliário, Londrina vai realizar, pela primeira vez, em outubro deste ano, um Hackathon da Construção Civil. A informação é do 1º Vice-presidente Financeiro do Sinduscon Norte-PR, Gerson Guariente Junior. Segundo ele, o movimento foi inspirado no trabalho desenvolvido pela Sociedade Rural do Paraná (SRP) com as startups do agronegócio.
Atualmente, na região de Londrina, existem 14 Construtechs trabalhando no desenvolvimento de soluções que vão desde a captação de terrenos até a gestão de resíduos das obras, segundo a engenheira civil e líder da comunidade Red Foot, Vivian Emilie Costa e Silva. Guariente explica que o hackathon foi proposto neste momento graças ao número de projetos existentes e o interesse das empresas já formalizadas em investir nas soluções.
Fonte e Imagem: FOLHA