Das empresas expositoras da Agrishow, uma estreou na feira e outra voltou após 20 anos de ausência. Elas enxergam na agricultura um caminho para reverter cenário ruim dos últimos 5 anos.

Apostar no agronegócio como um caminho para a retomada é uma das tendências do setor de máquinas para construção, conhecidas como linha amarela. Após esse mercado amargar dificuldades e quedas de vendas nos últimos cinco anos, as empresas enxergam nos produtores rurais uma esperança de reversão do quadro.

Apesar de serem conhecidas dessa forma, esse tipo de equipamento não é direcionado apenas à construção civil. Carregadeiras, retroescavadeiras, tratores de esteira, entre outros, são utilizados para várias funções no campo, como transporte de ração, manutenção de estradas rurais, abertura de curvas de nível e limpezas de terrenos.

Segundo a Associação Brasileira de Máquinas (Abimaq), este segmento terminou 2017 com 74,6% do potencial do parque fabril em operação, contra 67,1% do ano anterior. Mas as empresas ainda sentem os reflexos da recessão, apesar dos indícios de melhora.

Por isso, algumas delas aproveitaram a Agrishow, que terminou nesta sexta-feira (4) em Ribeirão Preto (SP), para estreitar o contato com possíveis clientes e planejar um novo ciclo de crescimento.

O gerente de desenvolvimento de distribuidores da Komatsu, Chrystian Garcia, na Agrishow 2018 (Foto: Érico Andrade/G1)

O gerente de desenvolvimento de distribuidores da Komatsu, Chrystian Garcia, na Agrishow 2018 (Foto: Érico Andrade/G1)

Nesse cenário, o agronegócio ganha terreno. A japonesa Komatsu, acreditando na força da agropecuária, que responde por 15% das vendas da empresa, esteve presente pela primeira vez na feira. Com foco em terraplenagem, apresentou quatro tipos de equipamentos. E saiu satisfeita.

Fundada em 1921 e desde 1975 no Brasil, com a fábrica em Suzano (SP), a companhia apostou alto na feira. Montou um estande de 600 metros quadrados e levou as operações de um banco próprio, criado em 2015 para oferecer financiamento direcionado à linha amarela. Os negócios fechados na Agrishow, segundo Garcia, haviam passado de R$ 3 milhões até o final da manhã desta sexta.

Empresas de máquinas de construção veem retomada dos negócios com ajud do agronegócio Agrishow (Foto: Érico Andrade/G1)

Empresas de máquinas de construção veem retomada dos negócios com ajud do agronegócio Agrishow (Foto: Érico Andrade/G1)

Após 20 anos

Outra empresa otimista com a influência do campo para as vendas é a Caterpillar, que voltou em 2017 para a Agrishow depois de 20 anos de ausência. De acordo com Andrea Park, diretora de assuntos governamentais e corporativos, o agro também responde por 15% dos negócios da empresa. E a tendência é que continue como uma aposta forte para os próximos anos.

A previsão da Abimaq é que a comercialização de equipamentos de construção tenha um incremento de 10% a 15% este ano. Mas, de acordo com Andrea, o movimento de alta ainda está tímido. A participação na Agrishow pode ajudar, na visão dela, a atingir esses índices.

Andrea Park, diretora de assuntos governamentais e corporativos da Caterpillar (Foto: Érico Andrade/G1)

Andrea Park, diretora de assuntos governamentais e corporativos da Caterpillar (Foto: Érico Andrade/G1)

Comemoração

Precursora na fabricação de máquinas da linha amarela voltadas ao agronegócio e com uma divisão especializada para atender o segmento, a JCB não fez ainda um balanço dos contratos fechados na Agrishow, mas acredita que houve um crescimento de 5% a 10% em relação à edição de 2017.

O gerente nacional de vendas agrícolas, Michael Steenmeijer, afirma que o desenvolvimento de novas tecnologias na empresa acompanha o crescimento do setor agrícola. “Nos últimos anos, observamos nesse mercado o fortalecimento de tendências, como os processos de mecanização e profissionalização, que estão em total sintonia com a estratégia de investimentos da marca no Brasil”.

O agronegócio já responde por 29% do total de vendas da JCB. Em 2017, a companhia afirma ter crescido 13% em participação no mercado de máquinas agrícolas. Para este ano, a expectativa é ampliar o índice para 16%.

Caterpillar volta a participar da Agrishow após 20 anos  (Foto: Érico Andrade/G1)

Caterpillar volta a participar da Agrishow após 20 anos (Foto: Érico Andrade/G1)