É grande a expectativa da construção civil para 2018, esperamos um crescimento significativo após quatro anos de recessão. E com o inicio do novo ano, várias teorias e perspectivas sobre o setor foram levantadas.

Diante de inúmeras incertezas que se alteram rapidamente no ambiente macro e microeconômico, os empresários precisam de mais segurança, principalmente jurídica, além de novos métodos que os auxiliem nas tomadas de decisões estratégicas.

São tantas reformas e mudanças que ainda estão por vir, além do cenário político, com eleições para este ano, que será preciso estarmos atentos e muito bem preparados para lidar com os inúmeros fatores que influenciam o ramo da construção.

Para que o Distrito Federal possa voltar a se desenvolver plenamente é preciso manter um ritmo constante de investimentos em infraestrutura. Esses investimentos são fundamentais para a superação da crise. Nosso setor pode ajudar o DF a crescer economicamente e a gerar empregos, principalmente nas áreas ligadas a sustentabilidade, mobilidade e habitação.

Acreditamos que o crescimento do DF, na construção civil, será acima da média nacional, por possuirmos mão de obra qualificada que só precisa das oportunidades certas. Somos empregadores de modo extensivo, com contratações imediatas.

Se os investimentos em mobilidade urbana de fato acontecerem, como construção de passarelas e obras no anel viário, com um governo comprometido com reformas, inovação e desenvolvimento, além das liberações das Parcerias Público-Privadas (PPP’s) e Concessões, atreladas à segurança jurídica dos contratos, 2018 será o ano da grande virada para o setor.

Hoje, os dois principais problemas da construção civil em relação à segurança jurídica estão relacionados justamente com as PPP’s e Concessões, pois a falta de discernimento desses contratos coloca em risco o objeto final que é a entrega do empreendimento e/ou do serviço dentro do prazo estipulado e na qualidade exigida. Mas, acreditamos que, independente do motivo que leve a construtora a praticar tais discrepâncias nos preços, a administração pública tem, ou deveria ter, a obrigação de recusar propostas manifestamente inexequíveis. Se eliminarmos esses problemas, acabaríamos com as tentativas de alterações de contrato pós-licitações e com as paralisações ou abandono de obras, que infelizmente se espalharam por todo o país.

A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do DF mostra que, entre outubro e novembro de 2017, o índice de trabalho na construção civil subiu 8,2%. Com a regularização definitiva do Setor Noroeste, por exemplo, a quantidade de canteiros aumenta, assim como o índice de ocupação.

Outro importante tema a ser tratado neste ano será a simplificação do regime tributário. Atualmente, o empresário gasta cerca de 2.400 horas por ano com a burocracia dos impostos e tributos. A melhoria nos negócios está diretamente ligada às medidas governamentais, quanto a recuperação da área, depende da continuidade das reformas estruturais, como Previdência e microrreformas. Isso aumentará a confiança dos investidores para sairmos dessa crise.

Além de maior investimento governamental, a profissionalização tem sido outro ponto positivo para a nossa capital. Mais de 60 mil brasilienses buscaram cursos e oficinas no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do DF (Sebrae/DF) em 2017. Atualmente, Brasília conta com mais de 200 mil pequenas empresas, de diversas áreas, em funcionamento, sendo que cerca de 70 mil proprietários se profissionalizaram no Sebrae no último ano. Isso nos mostra uma mudança cultural dos empresários, que buscam cada vez mais, alternativas para se manterem no mercado.

A reativação do Programa de Apoio ao Empreendimento Produtivo do Distrito Federal (Pró-DF), que reúne 3,7 mil micro e pequenos empreendimentos, o Programa de Desenvolvimento Econômico (Pró-Cidades), o impulso nos trabalhos do Comitê de Financiamento à Atividade Produtiva do DF (Cofap), o Conselho de Gestão do Programa de Apoio ao Empreendimento Produtivo do Distrito Federal (Copep), a redução da carga tributária para a aquisição de insumos nas empresas industriais de micro e pequeno porte (diferencial de alíquota), a ampliação das possibilidades de aproveitamento do crédito de ICMS e a queda da taxa de juros para 7%, ajudarão na retomada da economia do DF e darão condições de competitividade.

Outra importante ação que vem sendo desenvolvida e amplamente aplicada no DF e Entorno é a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico – Codese/DF.

Em vigor desde março de 2017, o Codese tem caráter propositivo e consultivo. Seu objetivo central é participar ativamente do planejamento econômico, sustentável e estratégico de Brasília e Entorno a curto, médio e longo prazo.

E em pouco tempo de atuação, já somos 17 Câmaras Técnicas, compostas por mais de 250 voluntários e com a aprovação imediata de 13 propostas que foram entregues, no ano de 2017, ao governador Rodrigo Rollemberg. Esta foi apenas uma amostra da capacidade realizadora da nossa equipe. E a recente adesão do movimento “Brasília de Volta ao Eixo”, demonstra a representatividade que o Conselho vem ganhando.

Por isso, a Associação Brasiliense de Construtores – ASBRACO acredita que apesar dos obstáculos, a crise serviu para o segmento buscar novas soluções. Assim, estamos otimistas e confiantes com a retomada do crescimento econômico de Brasília e Entorno, em prol de uma sociedade mais justa e desenvolvida.

 

 

Luiz Afonso Delgado Assad

Presidente da ASBRACO