O setor da construção civil é um dos motores da economia do país. Conta com mais de 12,5 milhões de postos de trabalho diretos, indiretos e informais, movimenta 6,2% do PIB Nacional, gera empregos em diversos setores e influencia diretamente na arrecadação do governo.

Dentro desse contexto, 26 entidades ligadas diretamente ao setor uniram-se para convidar os candidatos a presidência à uma sabatina acerca do tema, através da criação da “Coalizão pela Construção”.

O evento ocorreu no dia 06/08, no auditório do Edifício Armando Monteiro Neto, em Brasília, com a presença dos 5 principais candidatos à Presidência da República, sendo eles: Marina Silva (REDE), Geraldo Alckmin (PSDB), Álvaro Dias (PODEMOS), Ciro Gomes (PDT) e Henrique Meirelles (MDB), além de mais de 300 participantes entre empresários e imprensa.

Os candidatos puderam apresentar suas propostas de governo voltadas principalmente para o setor construtivo. Todos foram categóricos na identificação dos graves problemas que travam o país.

Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e porta-voz da Coalizão, José Carlos Martins, o setor da construção é a locomotiva ou o freio da economia nacional. Em 2017, por exemplo, o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) do setor da construção, 0,5% acabou puxando o PIB nacional para baixo, mesmo após sua alta de 1,0%. “Nós queremos saber em que o setor da construção pode contribuir para melhorar o País”, destacou José Carlos.

Para o presidente da Associação Brasiliense de Construtores (ASBRACO), Afonso Assad, o evento enfatizou a grande relevância que o setor possui perante o país e a expectativa é de que dele resulte um comprometimento do eleito para com a Indústria da Construção. “O evento foi bastante interessante, todos os candidatos confirmaram em suas apresentações que a construção civil é a principal área da economia brasileira e que deve ser movimentada logo nos primeiros 3 meses de governo, por se tratar da mais importante fonte de geração de emprego”, pontuou Assad.

O vice-presidente da Associação, Gustavo Feu Ferreira Dias, afirmou se sentir privilegiado de poder escutar as ideias e propostas que ajudarão o setor da construção e o Brasil a saírem desta atual crise. “O debate foi de altíssimo nível, podemos ouvir e tirar nossas conclusões com os candidatos que realmente acreditam e apostam na importância do nosso setor para a reação da economia, gerando empregos e renda”, finalizou.

André Silva Fagundes, Diretor de Saneamento da ASBRACO, considerou o evento muito produtivo. “As empresas de engenharia, através de suas associações, puderam ouvir e discutir as propostas do futuro presidente que certamente será um dos que estavam presentes e abrimos o caminho para a criação de uma Comissão da Construção Civil, que terá acesso direto ao presidente. Esta medida seguramente  trará mais condições ao setor para resolver questões prioritárias”, declarou.

O empresário e Diretor de Edificação da ASBRACO, Ruyter Kepler de Thuin acredita que a iniciativa da CBIC veio para agregar a imagem e unir o setor. “Aparentemente todos os candidatos estavam muito bem preparados para a sabatina, alguns com mais intimidade com o setor do que outros, mas na essência, o eleito deve entender as necessidades da construção civil e ponderar sobre as questões de crédito, combater as burocracias do setor, os problemas de licença ambiental, com propostas sólidas e diretas. Os candidatos precisam se identificar com o setor, ter experiência em gestão e conhecer bem os anseios da população brasileira”, sintetizou.

Para o 2º Diretor de Edificação da Associação, Eduardo Cerqueira, o encontro com os presidenciáveis abriu a oportunidade para se discutir o futuro do Brasil no que tange a infraestrutura e os gravíssimos problemas que assolam o país. “Podemos identificar os principais entraves para o crescimento sustentável do Brasil. As crises fiscais, éticas e políticas são as que mais impactam e prejudicam de forma intensa a segurança jurídica e os novos investimentos, tanto públicos, como: segurança, educação, saúde e infraestrutura, quanto privados, com prejuízo direto na criação de empregos e riquezas para o país.”

O  EVENTO

 

Dividido em cinco painéis, mediados por Fernando Rodrigues, do Poder 360, e com a participação dos dirigentes da Coalizão — Renato Gaspareto, conselheiro do Instituto Aço Brasil; Íria Lícia Oliva Doniak, presidente executiva da  Associação Brasileira da Construção Industrializada  de Concreto (ABCIC); Maria Elizabeth Cacho do Nascimento (Betinha), vice- presidente da  Câmara  Brasileira da Indústria da Construção (CBIC); Celso Petrucci, presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC; Evaristo Pinheiro, presidente  do  Sindicato  Nacional   da Indústria  da Construção Pesada (Sinicon); Paulo Camillo  Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP); Carlos Eduardo  Lima Jorge, presidente da Comissão  de Infraestrutura (COP) da CBIC;  Ramon Rocha, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon); Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, e Sérgio Bautz, conselheiro da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) —  o evento  contou  com  as presenças  dos  candidatos Marina Silva (REDE), Geraldo Alckmin (PSDB), Álvaro Dias (PODEMOS), Ciro Gomes  (PDT), e Henrique    Meirelles (MDB).

Dois presidenciáveis falaram pela manhã — Marina Silva (REDE) e Geraldo Alckmin (PSDB) — e três, à tarde —  Álvaro Dias (PODEMOS), Ciro Gomes (PDT) e Henrique Meirelles (MDB).

Jair Bolsonaro (PSL) não participou do evento por problemas em sua agenda, segundo a assessoria do evento.  O PT não foi convidado porque, pelas regras da sabatina, só poderia participar o próprio candidato.

Os painéis foram individuais e não houve debate entre os candidatos. Durante 20 minutos, cada um fez uma exposição e, em seguida, respondeu às perguntas de empresários.

Um resumo de cada Candidato:

Marina Silva (REDE)

 

Sobre economia a candidata Marina defendeu a limitação do crescimento dos gastos públicos à metade do PIB do ano anterior. Atualmente, a Constituição prevê que a base para aumento dos gastos federais é a inflação dos últimos 12 meses, até junho. Sobre o licenciamento ambiental, declarou ser preciso dar   maior agilidade nas desapropriações — uma das demandas do setor da construção — por meio de uma atualização na legislação, desde que não culminasse em perda de qualidade.

Geraldo Alckmin (PSDB)

 

Para Alckmin é preciso estimular a economia através da competitividade no setor bancário, administrando com rigor a política fiscal, cambial e monetária. Eleito, o candidato pretende aproveitar os primeiros seis meses de mandato para fazer mudanças na economia e zerar o déficit em menos de dois anos.

Sobre as recentes reformas realizadas no país, Alckmin elogiou principalmente a reforma trabalhista e propôs, para os próximos anos, mudanças nas regras previdenciárias, tributárias e políticas.

Álvaro Dias (PODEMOS)

 

Álvaro Dias fez críticas à corrupção, segundo ele, não há solução para os problemas do Brasil se for mantido o atual sistema corrupto e ineficiente.

Segundo o ponto de vista do candidato é necessário uma reforma do Estado para acabar com o sistema “promíscuo” de cooptação dos partidos políticos. Entre as suas ações, se vencer, estão: a redução do número de ministérios para cerca de 15; a privatização de empresas estatais e a redução do número de parlamentares.

Para a economia, Álvaro propôs a redução das taxas de juros e uma tributação maior em cima da renda do que do consumo, sem tributação a investimentos e exportação.

Ciro Gomes (PDT)

 

O candidato do PDT defendeu um ajuste fiscal, diminuindo despesas e aumentando receitas, e a criação de uma tributação sobre heranças.

Para o emprego no país, Ciro destacou que sua meta é criar 2 milhões ao ano, com foco nas áreas da defesa, saúde, agronegócio, petróleo, gás e bioenergia, além da construção civil.

Henrique Meirelles (MDB)

 

Henrique Meirelles destacou aos empresários da construção civil que é importante reaver a confiança do país, defendendo a revitalização da infraestrutura brasileira como alternativa para que o país possa de fato retomar o crescimento econômico.

Para a reforma tributária e privatizações, o candidato afirmou que o país precisa buscar de forma simplificada o pagamento de impostos, e para isso, pretende criar 10 milhões de empregos em quatro anos.

Esse foi o primeiro evento reunindo os presidenciáveis após os partidos definirem os candidatos à Presidência e por isso demandou tamanha atenção. O setor pode demonstrar aos candidatos sua união e grande preocupação com o futuro do país.

Texto: ASBRACO

Imagem: CBIC