O Conselho de Administração da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) se reuniu nesta última quarta-feira (17) com a participação de João Gualberto Rocha, abordando novas formas de financiamento para o setor, e do executivo da Wiz, Gustavo Portela, falando sobre substituição de depósito judicial por seguro garantia. “Temos cerca de R$ 35 bilhões de reais que poderiam ser substituídos por seguro, o que daria uma capital de giro imediato para o setor”, destacou Portela.

De acordo com Gustavo Portela, uma vantagem para as empresas, é o fato de que, ao optar pelo seguro garantia, ao invés do depósito recursal em dinheiro, não é preciso renunciar a reservas financeiras, melhorando assim a saúde do fluxo de caixa. “Conseguimos entregar dentro dessa ferramenta uma série de serviços diferenciados. Nossa intenção é reduzir o prazo de conciliação de informações, peticionamentos e recuperação do montante, em 6 meses”, explicou.

Portela detalhou que, na prática, a Wiz é uma corretora, mas o objetivo junto à CBIC é agregar serviços que façam a diferença para o setor. “Ao levantar as informações dos processos ativos podemos oferecer orçamentos competitivos. Nosso grande diferencial é a inteligência artificial e a redução do tempo da pesquisa”, disse.

Gustavo Portela, da Wiz

O presidente da CBIC, José Carlos Martins, reforçou que quando o setor se juntar em massa será possível conseguir propostas mais atrativas para todos. “Nosso objetivo é divulgar essa ferramenta da Wiz para a CBIC Serviços, que pode agregar muito para os players envolvidos”, frisou Martins.

Já o engenheiro civil e economista João Gualberto Rocha falou de novas formas de financiamento para o setor. Segundo o especialista em análise de viabilidade econômico-financeira, muitas empresas têm dificuldade em obter crédito junto aos bancos por não possuírem garantias a oferecer. Dessa forma, os Fundos de Garantia de Risco de Crédito FGO (Fundo de Garantia de Operações) e o FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) são um bom caminho. “Com esses Fundos, a empresa que tem condições de custear seu financiamento terá acesso facilitado para obter crédito junto aos bancos” destacou.

Pensando nisso, a Medida Provisória 975/20 passou a autorizar a União a colocar até R$ 20 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o objetivo de ampliar o acesso a linhas de crédito para empresas com receita bruta entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões. A MP entrou em vigor no dia 2 de junho. Além de turbinar o FGI, a medida provisória altera a lei que criou o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) para permitir que o Fundo Garantidor de Operações (FGO) avalize até 100% do valor de cada operação de crédito garantida. Antes, o FGO cobria até 85% do valor emprestado.

Apesar de ser mais uma opção de crédito para o setor, Gualberto tem ressalvas em relação a MP. “Esse é um recurso de uso livre, pode ser usado de diferentes maneiras, com 6 meses a 2 anos de carência. Tenho a expectativa de que esse programa não responderá da mesma forma que é o esperado. Acredito que se o BNDES não voltar à política de 2017 de irrigar a economia diretamente com o volume de recursos que existe disponível hoje, com as linhas diretas de operação, o programa pode não responder tão rápido como o esperado, pois enquanto não operacionalizarmos os bancos públicos, esse dinheiro não chega efetivamente ao destino”, ressaltou.

No início do encontro, José Carlos Martins confirmou a presença do vice-presidente da República Hamilton Mourão, na primeira reunião do Conselho de Administração da nova gestão da CBIC, que acontecerá no dia 8 de julho, às 10 horas, em Brasília. Em seguida, foi realizada a assembleia geral da CBIC, para tratar da apreciação de contas e do relatório da entidade.

 

Fonte e Imagens: CBIC