No evento “O Futuro do Brasil na visão dos presidenciáveis 2018”, recentemente realizado na capital federal, promovido pela Coalizão pela Construção, grupo que reúne 26 entidades do setor da construção civil, os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas apresentaram propostas relativas ao setor, colocando-o como prioridade para alavancar a economia do Brasil.

Álvaro Dias, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e Marina Silva responderam a perguntas de empresários e, invariavelmente, destacaram que a construção civil é essencial para a geração de emprego e o consequente desenvolvimento do país – à época, Jair Bolsonaro (PSL) não participou do evento por problema de agenda, e Lula está preso.

Os candidatos falaram em ampliação da confiança, com consequente impacto na competitividade, e ressaltaram o papel do setor. De forma geral, quando questionados sobre as burocracias enfrentadas pelos empresários, defenderam mudanças na legislação para ampliar a segurança jurídica. E não pouparam críticas a governos anteriores e aos adversários.

Independentemente da natural disputa e controvérsias entre os candidatos, é importante entender que suas percepções convergem em relação ao papel da construção civil. O fato é que o setor vem se mostrando cada vez mais importante no crescimento econômico brasileiro. Trata-se da área que mais tem capacidade de elevar a taxa de emprego, produto e renda, seja a curto ou médio prazo. Esse fato se deve, principalmente, a sua enorme capacidade de absorver mão de obra, diminuindo de forma significativa as taxas de desemprego nos momentos em que a economia está em baixa.

Para se ter uma ideia do tamanho da construção civil dentro da economia, basta destacar que representa aproximadamente 6,2% do PIB brasileiro, de acordo do IBGE. Por ser composta por inúmeras e variadas atividades em todo o país, funciona como uma espécie de motor econômico, com grande capacidade de movimentar a economia, gerar riquezas e empregos. Atualmente, mesmo sem estar em alta, é responsável por aproximadamente 13 milhões de postos de trabalho (considerando empregos formais, informais e indiretos), segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

Outra grande vantagem da construção civil é o fato de ser um setor econômico quase todo nacionalizado. Estudo do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social indica que apenas 2% do total dos insumos (materiais, equipamentos e serviços) utilizados na construção são importados.

Na prática, a construção civil tem impacto em diversos outros campos da atividade econômica. Os investimentos em obras impulsionam áreas importantes para o desenvolvimento urbano, por exemplo. A construção de moradias diminui o déficit habitacional; a ampliação do saneamento básico melhora as condições de saúde da população; e a expansão da mobilidade urbana oferece praticidade ao cotidiano, trazendo qualidade de vida.

É por essas e outras diversas situações relacionadas à economia, que a construção civil deve estar no programa de governo de todos os candidatos que verdadeiramente querem o desenvolvimento do Brasil.

Aurélio Luiz de Oliveira Junior é engenheiro civil e presidente do Sinduscon OESP