O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) proferiu palestra sobre o tema ‘Cenário Atual e Perspectivas da Construção para 2019-2022’, na 76ª Semana Oficial de Engenharia e Agronomia (76ª Soea), em Palmas (TO), e foi enfático. “Temos de encarar com seriedade o problema da engenharia no Brasil de hoje, pois os engenheiros podem tirar este país do buraco”, destacou.

Em sua apresentação, Martins apontou alguns problemas do setor cujas soluções, em sua opinião, “poderiam ser rapidamente agregadas pelo atual governo”. Com a capacitação de equipes técnicas para a execução de trabalhos que exigem certa sofisticação tecnológica seriam criados, de imediato, centenas de milhares de novos empregos na engenharia e no entorno de suas profissões, com reflexos positivos no Produto Interno Bruto. “Além da execução desse trabalho, as decisões sobre como deve ser feito precisam passar pelos engenheiros”, sustentou o presidente da CBIC.

As principais propostas apresentadas pelo palestrante buscam atender a demandas de infraestrutura e energia; apoio às concessões municipais; saneamento, considerado “uma vergonha nacional”; novos programas de habitação de interesse social, pois segundo ele, “casa própria, simplesmente, não remete ao conceito de moradia, que é muito mais complexo”, estudando-se a possibilidade de utilização de terrenos públicos; e uma política voltada à definição de novas diretrizes nacionais de habitação.

“As equipes do programa Minha Casa Minha Vida, devidamente aparelhadas, podem atuar em outros projetos de cunho social”, exemplificou Martins, que ainda sugeriu a criação de novos mecanismos de funding para a habitação de mercado. “No Brasil, quem se beneficia da Taxa Referencial guarda os títulos até o final do processo de financiamento, e os pequenos investidores não conseguem participar dessa estratégia”. O presidente da CBIC lembrou que “no Chile existem mais de 20 bancos que funcionam como agentes financeiros e no Brasil temos apenas cinco”.

Martins criticou o enorme número de obras paralisadas e sugeriu mais apoio às empresas, “para que participem mais ativamente das concessões e PPPs”, em contraposição ao modelo concentrador de hoje. Segundo ele, os desafios que o Brasil enfrenta na área da engenharia são os mesmos dos outros setores de produção: a extrema necessidade da reforma tributária, do ajuste fiscal, do incentivo ao empreendedorismo e de uma segurança jurídica que garanta o cumprimento de contratos. “Precisamos ocupar o espaço que representamos, discutir mais a engenharia e recolocá-la no lugar de destaque que merece. Para isso, os contratos devem ser negociados pelos engenheiros, e não por suprimentos ou pelo financeiro. Enfim, engenheiro é aquele que resolve problemas e não aquele que complica”, concluiu o presidente da CBIC.

Com informações da assessoria da 76ª Soea

Fonte e Imagens: CBIC