Proposta para incentivar auxílio a capital de giro e folha de pagamento é reformular fundo do BNDES

BRASÍLIA – A linha de financiamento para capital de giro, incluindo folha de pagamento, de médias empresas, que está em discussão pelo governo, deve ter como formato a ampliação de garantias da União para empréstimos de bancos.

Há um entendimento de que os bancos estão receosos de emprestar devido ao alto risco do mercado e da dificuldade de as empresas ofertarem garantias. O BNDES avalia que, com a nova formatação, será possível desembolsar recursos de bancos para as médias empresas.

O governo, o BNDES e as instituições financeiras estão discutindo medidas para estimular o crédito a companhias de médio porte, com faturamento de R$ 10 milhões a R$ 300 milhões por ano. O teto para classificar uma empresa como de médio porte no BNDES é o faturamento de R$ 300 milhões.

O debate ocorre depois da criação de uma linha de R$ 40 bilhões para financiar a folha de pagamentos de pequenas empresas, com faturamento anual de R$ 300 mil a R$ 10 milhões.

A proposta mais forte prevê uma reformulação do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) do BNDES. Criado há dez anos para servir de complemento às garantias oferecidas por empresas e caminhoneiros autônomos para tomar crédito, o recurso é hoje pouco acessado porque os bancos o consideram engessado.

Cobertura de 95% do risco

Embora o FGI seja voltado originalmente a operações de crédito para investimento, a ideia é que possa ser usado para garantir linhas de capital de giro e modalidades com prazos de até 72 meses, com seis meses de carência. O desenho em discussão propõe que haja uma ampliação significativa na cobertura do fundo.

Hoje, o fundo tem cerca de R$ 1 bilhão em caixa. O BNDES discute um aporte do Tesouro Nacional de R$ 20 bilhões. A avaliação é que, para cada R$ 1 no fundo, é possível destravar R$ 5 de financiamento. Por isso, o aporte desse montante poderia injetar R$ 100 bilhões nas empresas.

Além disso, atualmente, o FGI cobre 80% do risco de inadimplência numa carteira em que a taxa de calotes seja de, no máximo, 8%. O restante fica com o banco que concedeu o empréstimo.

O modelo em discussão prevê a ampliação da cobertura para até 95%, a depender do setor, e a inadimplência máxima assegurada pelo fundo passaria a ser de 20%. Por isso, a reformulação do FGI poderia reforçar as garantias dos bancos e ampliar o crédito. Segundo fontes, o banco público não pretende emprestar recursos subsidiados para grandes empresas.

 

Fonte e Imagem: O GLOBO