Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o valor recebido por mulheres é em média, 33% menos que os homens, no Brasil.

O carregamento e montagem das peças de um andaime são as primeiras atividades de um dia de trabalho de Valéria Araújo, 38 anos, ao chegar a uma instituição de ensino público onde presta serviço na área central de João Pessoa.

A pintura da área interna e da fachada da Escola Estadual Epitácio Pessoa é realizada por uma equipe incomum no cenário da Construção Civil nacional. Entre o grupo de cinco trabalhadores, três são mulheres. O pequeno índice de mulheres na cadeia produtiva do setor é comprovado pelo Sintricom (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Mobiliário e Montagem Industrial). Segundo órgão, apenas 5% da categoria é formada por mulheres, aproximadamente 1,5 mil, entre a base dos serviços em obras e escritórios administrativos do ramo na Paraíba. Há 18 anos, filha de um mestre de obras, Valéria iniciou o curso na Oficina-Escola de Revitalização do Patrimônio Cultural, no bairro do Varadouro, que desenvolve ações pedagógicas baseadas na formação prática e teórica, em obras de restauração do patrimônio histórico e locais públicos, vinculada a um projeto do governo espanhol. Valéria recebeu a reportagem do Portal T5 no começo do dia do trabalho e se escondeu atrás da timidez por pouco tempo. Logo ela contou sobre o primeiro desafio enfrentado ao entrar na profissão, o preconceito. “Eu nunca baixei a cabeça, sempre levantada, lutando pelo meu espaço”, disse.

” Eu ouvia que mulher não foi feita para trabalhar na Construção Civil. Foi feita para pilotar fogão ou trabalhar em casa de família. Mas eu acredito que não, a mulher cada vez mais mostra que tem espaço”. Valéria Araújo – pintora.

Casada e mãe de uma menina de quatro anos, além de cuidar da casa e da família, a mulher dá o exemplo desde cedo da igualdade e pertencimento ao mercado de trabalho quase dominado pelos homens. “Antes de vir para cá eu a deixo na creche para poder trabalhar e sei que ensino sobre a conquista de nosso espaço”, contou orgulhosa. Ao lado da profissional, Jair Batista, 45 anos, divide espaço no andaime com outras companheiras de trabalho, como Simone, com quem aprendeu ofício na mesma turma. Para ele, é comum encontrar mulheres na profissão que exerce há mais de 10 anos. “Elas são mais cuidadosas, atenciosas e detalhistas. É de grande valor trabalhar com mulher. Elas são rosas em nosso jardim”, disse.

Remuneração – Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o valor recebido por mulheres é em média, 33% menos que os homens, no Brasil. O setor, no entanto mostra, que apesar da diferença na remuneração, a presença das mulheres no ramo cresceu 120% em pouco mais de 10 anos. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007 havia 109.006 trabalhadoras registradas. Em 2018, eram 239.242.

Fonte: T5 Paraíba 

Imagem: Dennison Vasconcelos