Em entrevista ao Correio, o presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, destaca os resultados do banco

A primeira razão é o crescimento na carteira de crédito. O BRB se firma como importante agente de crédito no DF, ampliando o relacionamento com os clientes e crescendo nas principais linhas de negócios. Então, essa é a primeira razão, mas também há a ampliação do relacionamento com os clientes, com crescimento muito significativo na receita com a venda de seguros e nos cartões com ampliação de novos negócios. O terceiro pilar foi o controle dos gastos, e o último pilar é a qualidade da nossa carteira, a nossa inadimplência é a metade da média do mercado.

Esse período pegou apenas o início da crise provocada pela pandemia. Os principais efeito ainda virão?
A gente tem uma carteira de crédito que se concentra em consignado, imobiliário e atendimento ao servidor público, por isso ela tem uma exposição ao risco mais baixa do que outros bancos e o impacto é menor. Mas, deve haver um aumento de inadimplência, sim. Na nossa carteira, 8% são de pessoas jurídicas e, nesse segmento, o impacto deve ser maior, mas representa menos do nosso total. De toda maneira, vamos continuar muito atentos e acompanhar de perto tudo o que está ocorrendo. Temos revisto modelos e procurado entender a realidade do nosso cliente e mantemos um olhar para frente. É preciso compreender que os impactos da crise ainda vão continuar por algum tempo, mas que estamos atentos para que o banco continue com estrutura de capital adequado e pensando no digital e na expansão.

O BRB encerrou 2019 com lucro recorde e uma série de bons resultados. O que isso revela, para o senhor, sobre a gestão do banco?
Todo esse trabalho começa na visão do governador Ibaneis (Rocha) de que o BRB é um banco estratégico para o desenvolvimento do DF e do Centro-Oeste, e quando ele define que o trabalho será técnico e permite que a gente monte uma equipe, faça um planejamento estratégico e tenha liberdade para conduzir dessa maneira. De maneira objetiva, acredito que as razões para esses resultados são a natureza técnica da gestão e o apoio institucional do nosso maior acionista, que é o GDF. Além disso, temos definição clara de planejamento estratégico e disciplina na entrega dos resultados. Nossos clientes são fiéis, bons, de renda elevada, pela característica da nossa região, e o setor produtivo recebeu o BRB de braços abertos. Por fim, também temos uma equipe qualificada e com vontade de fazer o BRB dar certo. O engajamento dos nossos empregados e a compreensão da importância do banco para o DF é fundamental.

O crédito imobiliário teve destaque nos resultados. O BRB vai continuar investimento forte nisso?
O crédito imobiliário é uma prioridade. Primeiro, porque possibilita ao cliente realizar o sonho da casa própria e, segundo, porque traz um relacionamento a longo prazo e, com esse tipo de financiamento, acaba se tornando o principal banco para quem faz. Também porque a construção civil é muito importante para a geração de empregos e para economia do DF. Então, continuamos com a melhor taxa do mercado. Lançamos um produto novo, indexado ao IPCA e revimos a taxa também do Plano Empresário para 6,49%, a mesma que é oferecida para pessoa física. E vamos continuar inovando, temos revisto os nossos processos para deixar mais moderno e digital para o nosso cliente. Mas precisamos que tudo isso passe, a crise do coronavírus atrapalha inclusive do ponto de vista psicológico.

As estratégias de modernização e expansão vão ser  afetadas pela crise?
O nosso planejamento estratégico vai ser seguido na integralidade. Nosso plano de modernização e lançamento do banco digital continuam em andamento. A expansão regional também, mas vai diminuir o ritmo, entendo o contexto de uma economia afetada pela crise. O banco digital estará em testes a partir de junho, o lançamento ficará para o segundo semestre.

Qual o resultado até aqui do Supera-DF e das ações contra a crise?
O principal foco do Supera-DF é fortalecer o BRB no Distrito Federal, mostrar que o DF tem um banco que atua rápido em vários eixos. O papel do BRB vai além de um banco tradicional. O Supera é um programa que trata da questão da saúde, da economia, e do social. Pensa-se sempre muito na economia, mas não podemos esquecer dos outros eixos. No social, os cinco programas que foram lançados — bolsas alimentação (escolar e creche), pequenos reparos, farmácia de alto custo, renda emergencial e prato cheio — são muito importantes neste momento. Fizemos parceria com o GDF e entidades para produção e doação de máscaras, além da campanha de arrecadação em que doamos R$ 7,5 milhões e arrecadamos mais R$ 4 milhões. Com isso, foi possível ter mais 150 monitores e 150 bombas de infusão para UTIs. No aspecto econômico, são mais de R$ 2 bilhões em novas linhas e operações repactuadas que beneficiam tanto clientes do setor produtivo quanto pessoas físicas.

Como tem sido a relação com o setor produtivo?
Desde a nossa chegada, ainda na transição, o governador Ibaneis deixou claro que o papel do BRB é de ser um banco de desenvolvimento, de fomento. Ele precisa atender bem ao servidor, mas ser parceiro do setor produtivo. Encontramos na Fecomércio uma ajuda muito grande, depois também na Fibra. E essa conversa vem evoluindo, a ponto de termos firmado convênio com as federações para se aproximar mais ainda e ajudar o setor produtivo na crise. Mas, é preciso entender o papel do BRB nesse momento. Nosso papel é apoiar o setor produtivo, em especial os que têm condição de tomar crédito, de sobreviver. É diferente o que se faz num programa social e o que se faz um programa de crédito para o setor produtivo. Para empresários que estavam com dificuldades anteriores muito grandes e já sem acesso ao crédito no mercado financeiro, infelizmente esse programa pode resolver o problema.

 

Fonte e Imagem: Correio Braziliense