Setor não parou por causa da pandemia de covid-19 e criou postos de trabalho durante todo o ano passado. Indústria deve continuar reagindo, em 2021, e pode gerar mais 200 mil oportunidades de emprego este ano, asseguram especialistas

Apesar dos efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia, a construção civil tem sido a salvação para quem precisa de emprego. Além de não exigir alta qualificação, o que garante postos de trabalho para a camada economicamente mais vulnerável da população, o setor foi o que mais abriu vagas em 2020, tanto com carteira assinada quanto para trabalhadores informais ou por conta própria. Os especialistas asseguram que, superados os desafios de desabastecimento e alta nos preços dos insumos, a indústria da construção civil deve se manter aquecida, em 2021, e pode gerar mais 200 mil oportunidades de emprego este ano.

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A Pnad Contínua considera a ocupação de trabalhadores por conta própria, informais e com carteira assinada. Segundo o levantamento, o contingente da força de trabalho na construção civil passou de 5,336 milhões no trimestre móvel de maio/junho/julho de 2020 para 5,910 milhões no período agosto/setembro/outubro, com 574 mil novas oportunidades de trabalho. Tal movimento do mercado beneficiou o autônomo Gil Raimundo Vogado da Silva, 34 anos, morador do Gama. Com ensino médio completo, ele trabalhou como garçom, motoboy e auxiliar de limpeza, e, há 15 anos, atua como pedreiro.

Durante a pandemia, Gil ficou 50 dias fazendo apenas pequenos reparos. Quando o Governo do Distrito Federal (GDF) flexibilizou as restrições, os pedidos para contratar o serviço de Gil dispararam. “A demanda ficou bem acima do esperado, porque as pessoas passaram a construir e a reformar. Estou recuperando o prejuízo”, conta.

Economista da Câmara Brasileira da Construção Civil (Cbic), Ieda Vasconcelos diz que o mês de novembro surpreendeu. “Os dois últimos meses do ano são sazonais, é um período mais chuvoso e, normalmente, o saldo de empregos é negativo. No entanto, tivemos o melhor novembro da série histórica, iniciada em 1992. Foram gerados mais de 20 mil novos postos de trabalho, o que mostra a força da reação da construção civil”, diz.

Apesar do embalo que ganhou em 2020, o setor ainda está longe de recuperar o tombo de 30% que levou durante os anos de recessão (2015-2016). De acordo com os dados do Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil no terceiro trimestre de 2020, o setor está no mesmo patamar de atividade do início de 2007. “Mesmo assim, foi o que gerou mais vagas no ano passado. Imagina se a indústria da construção estivesse no pico das atividades, que foi em 2014? O Brasil teria passado de uma forma mais amena pela crise”, avalia Ieda.

A especialista diz que o incremento do financiamento imobiliário e as taxas de juros no menor patamar da história contribuíram para o desempenho. “A pandemia ressignificou o valor da casa própria. Com todo mundo trabalhando e estudando em casa, houve necessidade de mais espaço”, explica. “Há que se considerar também a capacidade de organização do setor. Por meio de protocolos, manteve a segurança e a saúde do trabalhador, e ampliou as vendas on-line”, acrescenta.

Banco de empregos

Um levantamento do Banco Nacional de Empregos (BNE) aponta que as vagas na construção civil aumentaram 37% em 2020 na comparação com 2019. De acordo com a pesquisa, os meses com mais vagas abertas no setor foram agosto, setembro, outubro e novembro de 2020, consolidando uma retomada do setor no segundo semestre. Os meses marcaram a flexibilização das medidas de isolamento e o retorno das atividades econômicas, o que aqueceu o mercado. Mais de 324 mil imóveis foram financiados, em 2020, no Brasil, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

José Tortato, gerente de negócios do BNE — site de empregos que une as empresas que buscam profissionais às pessoas que procuram emprego, com atuação desde 1998 —, diz que a construção civil está na contramão dos outros setores, afetados negativamente no ano passado. “De agosto em diante, houve uma super aquecida no setor, principalmente pela ampliação do crédito imobiliário e pela necessidade de adequar o imóvel para o trabalho em home office”, destaca.

Fonte e Imagens: Correio Braziliense