Palavra do presidente: Alta dos preços e escassez dos insumos para a Construção

A indústria e os empresários têm sofrido com escassez e aumento de preços de insumos para a construção civil. Com estoques sempre baixos e com o câmbio e a alta das commodities impactando nos prazos e custos. Este é o cenário que vivemos desde o ano passado, com o início da pandemia.

Estamos trabalhando com uma referência de valores, a tabela SINAPI, defasada. As obras licitadas em 2020 usavam previsões de 2019 e as vezes até de 2018 como base de cálculo, sem cogitar uma pandemia nesta proporção, por isso, o fluxo seria adequar a nova realidade, com a criação de uma nova tabela referência.  Os preços de materiais e equipamentos subiram algo em torno de 19,60% em 11 meses, alguns insumos subiram mais de 50%, outros chegaram a dobrar de preço, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas; com uma tendência de manutenção da alta por mais alguns meses.

Os insumos que mais pressionaram o setor foram: aço, cimento, PVC, cabeamentos de cobre, blocos de cerâmica e manta asfáltica. Não existe fórmula mágica, com este ritmo, o empresário não irá suportar.

Este é um cenário que nos preocupa, com o risco de paralisação de obras, pois o impacto nos custos dessas obras vem pressionando negativamente os empresários do setor, o que infelizmente reflete na geração de emprego e provoca atrasos.

Nos últimos anos, de 2014 a 2018, a construção formal encolheu significativamente, o PIB caiu quase 30% e apesar de ensaiar uma recuperação no ano passado, o movimento de alta não está disseminado.

Precisamos buscar um equilíbrio, com diretrizes firmes em relação ao ambiente macroeconômico, afim de diminuir as incertezas, com a manutenção da taxa de juros e valorização cambial. É possível sentir que a questão do desabastecimento está próxima de ser solucionada, porém a alta nos preços deve continuar, com isso, é imprescindível que levemos nosso posicionamento aos governantes, para que o setor não pare.

Luiz Afonso Delgado Assad

Presidente da ASBRACO