Os últimos anos foram complicados para a construção civil no Brasil, diversos fatores contribuíram para que o setor acumulasse quedas consecutivas.

Para o segundo semestre com as eleições para Presidente da República e para Governador do Distrito Federal, existe a possibilidade de um impacto negativo no mercado da construção e na instabilidade da economia brasileira.

Segundo especialistas da área, o cenário político do DF encontra-se tão instável que as previsões apontam para um alto índice de abstenção, votos brancos e nulos, podendo chegar 40% da população. Esse é um dado bastante preocupante, pois evidencia a gravidade da situação política do Distrito Federal.

Nossa expectativa é de que os empresários possam encontrar um panorama favorável, economia crescente com novos investimentos e para que isso se concretize precisarem insistir nos temas sobre segurança jurídica e consolidação política do DF.

Se por um lado, a demanda necessita de financiamentos governamentais para compra de imóveis, por outro, as empresas necessitam de mais obras de infraestrutura e programas habitacionais.

Queremos acreditar em uma expectativa de crescimento do setor ainda para 2018, porém é preciso avançar bastante para que isso ocorra. O setor sentiu fortemente os ajustes macroeconômicos, e por isso estamos buscando a retomada do crescimento dentro da construção civil por meio da inovação.

Um grande exemplo disso foi à realização do 90º Encontro Nacional da Indústria da Construção, que ocorreu em Florianópolis (SC). O evento foi voltado, principalmente para a tecnologia, gestão e políticas públicas de infraestrutura.

O segmento da construção no Brasil é um forte indicador da recuperação econômica do país, sendo, dessa forma capaz de projetar três conjunturas: expectativa de retomada da governabilidade com potencial equilíbrio econômico; política e a economia em sintonia, gerando crescimento; ou, no pior dos cenários, recessão econômica em meio à fragilidade política.

O empresariado precisa voltar a construir, focado em projetos mais assertivos e sustentáveis, destacando a utilização da NBR 15575 – Norma de Desempenho da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Hoje, uma construtora para ganhar notoriedade precisa usar produtos industrializados, normatizados, que atendam, principalmente, à Norma de Desempenho, que entrou em vigor em 2013 e veio padronizar procedimentos e produtos.

Outro ponto a ser destacado é o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi) que variou 0,58% em junho desse ano, ficando 0,03 pontos percentuais (p.p) acima dos 0,55% registrados em maio. Foi a segunda alta consecutiva do índice, que em junho atingiu seu maior patamar no ano. O acumulado dos últimos doze meses foi de 4,07%, resultado acima dos 3,87% registrados pelo mesmo indicador em maio. Em junho de 2017 o índice foi 0,38%. E o custo nacional da construção, por metro quadrado, que em maio fechou em R$ 1.083,13, em junho subiu para R$ 1.089,46, sendo R$ 558,75 relativos aos materiais e R$ 530,71 à mão de obra.

Isso pode ser um sinal de normalização e crescimento. Os índices, em todo o país, são positivos, sendo que a região Sul ficou com a maior variação em junho, 0,88%, nas demais regiões, as taxas são: 0,25% (Norte), 0,60% (Nordeste), 0,63% (Sudeste) e 0,27% (Centro-Oeste). Porém temos que ser realistas, ainda há muito a ser feito antes de declarar a recuperação do setor.

Outro tema de grande relevância para o setor, que foi intensamente debatido nesse 1º semestre, trata-se do Programa de Integridade para a Construção e para o Governo do Distrito Federal, que após grande empenho dedicado ao assunto, sempre acompanhado de diversas reuniões entre o setor produtivo, nossa Associação, SINDUSCON, Controladoria Geral do Distrito Federal, Casa Civil e Deputados, foi aprovado no dia 28 de junho, o PL 2062/2018 em 1º e 2º turno, que concedeu a prorrogação do prazo da implantação da lei de Integridade por 12 meses.

O setor entende que o Programa é cultural e evolutivo, além de uma realidade nacional, que deverá ser incorporado ao cotidiano de todas as empresas de forma gradativa, e por esse motivo, a extensão do prazo foi considerada uma importante conquista, pois trará às instituições a possibilidade de se prepararem melhor.

Luiz Afonso Delgado Assad

Presidente da ASBRACO