Pequenas doações em conjunto podem ter impacto

Estamos discutindo quem será o novo presidente da República, mas não haverá nenhum presidente que possa fazer mudanças sem apoio do Congresso. Isso é inerente à democracia. Por isso, o mais importante é elegermos um Congresso sintonizado com o interesse dos cidadãos, que efetivamente fiscalize o Poder Executivo e represente a sociedade.

Hoje, criticamos o Congresso, que está distante da sociedade e dos seus anseios. Proponho, neste momento, uma discussão sobre a representação no Legislativo: lá serão feitas as leis que traduzirão o país que queremos.

A grande novidade da eleição deste ano é a participação cidadã de todos os brasileiros no pleito. Não é da nossa cultura participar ativamente e depois cobrar aquilo que nos prometeram. Como faremos isso é a grande dúvida.

Precisamos da participação dos cidadãos, aqueles que se doam, que cobram, que exigem do seu representante a defesa dos interesses da sociedade; com transparência, com ética, com lisura no exercício do mandato. Falo do condomínio, do clube, do representante na escola, falo de entidades de classe, falo de representação política.

Pessoalmente, sempre defendi o voto distrital, pois ele é a menor distância entre o cidadão e seu representante. Somente ele permite que o eleitor médio lembre em quem votou e se seu eleito está desempenhando adequadamente seu mandato.

Mas não existe jantar sem alguém que pague a conta, este é um custo da democracia. Sabemos do desastre que foi a relação espúria entre algumas pessoas e o sistema político e não podemos mais aceitar isso. Está claro nas pesquisas que o Brasil deu um basta a esse modelo; no entanto o custo existe, e alguém terá que pagar.

Esse é o momento para refletirmos sobre isso: se uma empresa doar, poderá ter interesse na doação; se o recurso sair do setor público, diminuirá o dinheiro para demandas essenciais ao país, como segurança, saúde, educação etc. Como sair disso?

Convido a todos que participem desta eleição com ideias, com propostas, com cobranças, mas também com contribuições às campanhas dos bons políticos.

Se não queremos doação de empresas, se não queremos que esse custo saia do Orçamento, que tal nos agruparmos e fazermos pequenas doações para viabilizar as candidaturas que nós, cidadãos comuns, acreditamos? Vamos deixar para poucos fazerem isso? Depois vamos reclamar, de novo, que nossos políticos só atendem aos interesses de poucos?

Precisamos, todos os cidadãos de bem deste país, escolher um lado. Escolher um candidato e trabalhar por ele em nossas comunidades, em nossas redes sociais, junto aos nossos familiares, mas também com contribuições financeiras.

Não se faz campanha sem dinheiro. É melhor que o recurso venha do cidadão, por meio de pequenas doações que não serão relevantes individualmente, mas no conjunto poderão significar a eleição ou não de um candidato.

É legítima a defesa de segmentos organizados, desde que com transparência e que não visem exclusivamente aos seus interesses, mas sim que estejam sintonizados com os interesses maiores do país. Hoje vivemos uma ditadura de corporações, pequenos grupos com grande poder de mobilização que, com isso, mantêm privilégios inaceitáveis.

O interesse das maiorias silenciosas e trabalhadoras precisa ser priorizado. Neste momento não há necessidade maior que emprego. Nossos candidatos ao Senado Federal e à Câmara dos Deputados estão se comprometendo com medidas que busquem aumentar a oferta de empregos? Ou estão somente defendendo o que todos já cansamos de ouvir?

Mobilizados podemos cobrar. Essa cultura ainda não existe em nosso país mas, nas suas campanhas à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama recebeu doações de milhões de cidadãos americanos.

Assim, conseguiu seus dois mandatos. Queremos ou não construir um novo país? Queremos deixar um Brasil melhor para nossos filhos e netos?

Conclamo a todos para refletir sobre isso.

A hora é agora!

José Carlos Martins
Engenheiro civil e presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Fonte e Imagem: CBIC