Empresário assume o Sinduscon após a morte de Luiz Carlos Botelho Ferreira. A missão agora é turbinar o setor da construção civil

Reaquecer o setor de construção civil no Distrito Federal é a prioridade do novo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), o empresário João Carlos Pimenta, 69 anos. Ele assume a direção da entidade para terminar o mandato do pioneiro Luiz Carlos Botelho Ferreira, que morreu em decorrência de complicações cardíacas em 5 de julho.

Em entrevista ao Correio, Pimenta, que fica no cargo até maio de 2019, aponta como necessidades primordiais recuperar empregos no setor e repensar a forma como as obras públicas são tocadas no país e no DF.
Às vésperas das eleições deste ano, ele afirma que o Sinduscon quer dialogar com os candidatos e vai participar do processo eleitoral de maneira apartidária. “O que a gente mais precisa é ser ouvido”, diz.

O senhor assume no lugar de Luiz Carlos Botelho Ferreira por uma fatalidade. O que ele representou para o Sinduscon?

O Luiz Carlos levava esse trabalho com uma seriedade impressionante. Ele deu abrangência, desde 2014, à presidência do Sinduscon em todos os aspectos. Sempre foi muito acessível. É um trabalho que todos nós temos que reconhecer que foi excepcional, mesmo sendo interrompido. Ele deixa um legado incrível.

Quais são os principais desafios que o Sinduscon precisa enfrentar?

A construção civil já teve no DF 90 mil empregos formais diretos. Hoje, a estimativa é de que esteja entre 15 mil e 20 mil. A gente não consegue nem ter noção da quantidade de engenheiros hoje que estão em outras áreas, em subempregos. Precisamos reverter isso. A nossa bandeira é a reativação do setor de construção civil de forma saudável.

Estamos às vésperas das eleições, qual será a participação da entidade e do setor no pleito?

O Sinduscon, enquanto entidade, tem de ser apartidário. Agora, por outro lado, a gente considera que a nossa participação no processo, de forma isenta e abrangente, é essencial. Então, vamos levar as nossas reivindicações e deixar as nossas demandas para quem quer que seja eleito já conhecê-las.

O que é prioridade hoje para a construção civil?

O país hoje tem gente controlando, apurando, julgando, condenando e defendendo. Não tiro os méritos disso, acho até que muita coisa é para melhorar. Mas, se você somar tudo, tem muito mais gente fazendo isso do que executando. Então, precisamos dar prioridade a começar a trabalhar e a executar.

Como fazer isso?

Da maneira como o país tratava a construção civil, os grandes grupos ficavam com os contratos de megaobras. E está provado de que muita coisa inconveniente aconteceu por causa disso. Os governantes devem definir suas metas e ser assessorados por empresas de engenharia consultiva. Em vez de já contratarem megaempresas para megaobras, deveriam ouvir esses consultores para que possam licitar de forma mais pulverizada e com base em projetos de melhor qualidade.

O Brasil enfrentou uma crise muito intensa, que afetou muito a construção civil… No DF, já se pode falar em recuperação?

Eu diria que ainda não. Existem duas vertentes maiores da construção: a incorporação imobiliária e as obras públicas. A área imobiliária vem se recuperando bem, os indicadores e estudos mostram que ela vinha reagindo. Houve um baque agora com a greve dos caminhoneiros, mas há um otimismo que a recuperação retome depois disso. Já nas obras públicas, houve uma diminuição muito grande dos investimentos por causa dessa crise, que afetou muito os governos. Ainda há muitos reflexos disso.

Houve, no início deste ano, o desabamento do viaduto da Galeria dos Estados. De que maneira o Sinduscon avalia a infraestrutura e a manutenção das obras da cidade?

No desabamento do viaduto, as obras estão completando 60 anos e a verdade é que nunca se fez manutenção. Não é uma questão de agora. Essas obras em Brasília foram feitas a toque de caixa e, além disso, a tecnologia e as normas mudaram muito. Então, há uma série de fatores que levaram ao que aconteceu. A manutenção de obras precisa ser constante. E não é em lugar nenhum do Brasil. Esse é um grande erro.
Fonte e Imagem: Correio Braziliense