A construção civil brasileira enfrenta um desafio estrutural que se arrasta há décadas: produzir mais, com maior eficiência, tecnologia e segurança jurídica. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a produtividade por trabalhador no setor caiu 20,4% entre 1995 e 2024, evidenciando um cenário de perda de competitividade e de baixa capacidade de modernização.
O estudo, intitulado “Construção no Brasil: Agenda para Modernização do Setor”, também aponta uma redução significativa da participação da construção civil no Produto Interno Bruto (PIB). Em 2013, o setor representava 6,4% da economia brasileira. Em 2024, essa fatia caiu para 3,6%.
Os dados reforçam a necessidade de uma agenda nacional voltada à inovação, qualificação da mão de obra, melhoria do ambiente de negócios e ampliação do uso de tecnologias nos canteiros de obras. Para especialistas do setor, a queda de produtividade não está relacionada apenas ao desempenho das empresas, mas também a entraves como burocracia, insegurança jurídica, dificuldades de acesso a crédito, baixa industrialização dos processos construtivos e falta de continuidade em políticas públicas.
Apesar dos desafios, a construção civil segue sendo uma das atividades com maior capacidade de geração de empregos, movimentação da cadeia produtiva e impacto direto na infraestrutura do país. Por isso, a perda de espaço no PIB preocupa entidades representativas e reforça a urgência de medidas que tornem o setor mais competitivo.
A modernização da construção passa por investimentos em tecnologia, planejamento, capacitação profissional, digitalização de processos e fortalecimento das empresas que atuam na área. Sem avanços concretos, o setor corre o risco de continuar perdendo relevância econômica, mesmo sendo essencial para o desenvolvimento urbano, habitacional e produtivo do Brasil.
Mais do que um alerta, os números apresentados pela CNI mostram que a construção civil precisa ser tratada como prioridade estratégica. Recuperar produtividade significa fortalecer empresas, gerar empregos de qualidade, ampliar investimentos e garantir que o setor volte a ocupar o papel central que sempre teve no crescimento do país.



