Agência de Desenvolvimento do DF publicou pedido no Diário Oficial de segunda-feira (22/1). Dinheiro vai cobrir gastos com o Noroeste.

Brasília(DF), 07/06/2016 – Prédio da Terracap no Sam – Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

Em dificuldades financeiras, a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) pediu empréstimo de R$ 35 milhões a bancos. O financiamento visa cobrir gastos com infraestrutura e ações judiciais referentes ao bairro Noroeste. O pedido foi publicado no Diário Oficial do DF de segunda-feira (22/1) e, segundo a própria empresa, visa “garantir a liquidez” da estatal.

O Noroeste se tornou um grande problema para a agência. A falta de infraestrutura e licenças tem levado a uma enxurrada de ações judiciais. Uma delas é referente à ligação de esgoto emergencial, necessária para a concessão da carta de habite-se. O prazo final desse documento encerrava-se em dezembro – mas ele não foi obtido, acarretando problemas para a entidade. Agora, a Terracap terá de arcar com gastos milionários, entre distratos e ações judiciais sobre projeções no bairro.

Atualmente, os ganhos com a venda direta de imóveis têm sido suficientes para pagar apenas as despesas correntes da agência, sem aliviar o fluxo de caixa. Em novembro, o Metrópoles revelou que a empresa gastou suas reservas para cobrir o rombo do balanço do primeiro semestre de 2017 – na época, chegou a estudar pedir R$ 80 milhões em empréstimos. Foram consumidos R$ 219 milhões no período com receita de R$ 74 milhões. Esse “buraco” foi preenchido com R$ 145 milhões. O colchão financeiro, no entanto, se esgotou.

Sem ter de onde tirar recursos, a agência decidiu recorrer ao empréstimo, tema que foi discutido pela direção durante alguns meses no final de 2017. A estatal corre para conseguir liberação dos R$ 35 milhões e deu prazo de cinco dias para instituições bancárias enviarem suas propostas.

As condições já foram estabelecidas e, como garantia de pagamento, a Terracap colocará imóveis e carteira de recebíveis à disposição do financiador. As parcelas, segundo o órgão, serão pagas no dia 30 de cada mês, com carência mínima de 360 dias.

Reprodução/DODF

A medida, contudo, é vista com ressalva por especialistas. “Bater na porta de banco, no primeiro mês do ano, dá sinais de que onde há fumaça, há fogo. A empresa não está nessa situação por acaso. É resultado de má gestão e outras coisas mais graves que precisam ser apuradas”, diz José Matias-Pereira, economista e pós-doutor em administração.

Procurada pela reportagem, a Terracap disse, por meio de nota, “que as finanças estão equilibradas no sentido de que há fluxo suficiente para o pagamento do custeio, que seriam as despesas de manutenção. Os empréstimos autorizados têm como objetivo aumentar a capacidade de investimentos”.

Questionada sobre a estimativa anterior, de pedir R$ 80 milhões a bancos, a estatal afirmou que “houve redução desse valor, pois a empresa já está no processo de emissão de debêntures no valor de R$ 45 milhões, ou seja, os R$ 35 milhões seriam a diferença entre os R$ 80 milhões autorizados e os R$ 45 milhões já captados por meio das debêntures”.

Estamos no melhor momento financeiro dos últimos dois anos. Apesar de termos autorização para adquirir R$ 80 milhões em empréstimos há um ano, até hoje não pegamos nem um centavo.
Como o cenário econômico vem melhorando, as taxas de juros dos bancos estão diminuindo. Lançamos este edital apenas para conseguir uma taxa menor do que aquela que já temos de análises de crédito anteriores

Júlio Cesar de Azevedo Reis, presidente da Terracap

Plano de recuperação
No ano passado, a empresa criou um plano de recuperação de suas contas. Para tentar conter as despesas, focou seis itens: redução de 25% nos contratos administrativos; diminuição de sete para quatro diretorias; corte nos cargos comissionados; redução no valor da gratificação dos comissionados, de 80% para 60%; Programa de Demissão Incentivada (PDI); e reestruturação do Fundo de Previdência.

A questão dos servidores é crucial para a Terracap, pois corresponde à maior parte das despesas. No balanço do primeiro semestre de 2017, o gasto com pessoal foi o que mais cresceu. O dispêndio saltou 29,77%, passando de R$ 137.614.526 milhões para R$ 176.578.441 milhões.

Equacionar as finanças é uma ação que corre em paralelo a outro eixo: a tentativa de incrementar a receita. Para isso, a estatal mirou em sete pontos principais: renegociação de dívidas com inadimplentes; conciliação de débitos de carta administrativa; retomada de imóveis (alienação fiduciária); venda direta de imóveis; adensamento da Etapa I, Trecho II, do Taquari; empreendimentos como o Parque Tecnológico Digital do DF (Biotic) e a ArenaPlex; e editais extraordinários.

A Terracap luta para reverter uma sucessão de números negativos. Após terminar 2015 com lucro de apenas R$ 19 milhões – redução de 97,5% em relação a 2014 –, a empresa amargou prejuízo de R$ 255 milhões no fim de 2016.

As despesas caminharam na direção contrária: saltaram de R$ 623,3 milhões, em 2015, para R$ 637 milhões no ano seguinte. Em 2017, o buraco foi de R$ 145 milhões, com arrecadação de R$ 74 milhões e gastos na ordem de R$ 219 milhões.

Fonte e Imagem: Metrópoles