Data:19-12-2017 Governador Rollemberg faz coletiva sobre terminal e mudanças na EPTG
Foto: Breno Esaki

A menos de 13 meses para o fim do atual mandato de Rodrigo Rollemberg, o governo anunciou uma série de mudanças na mobilidade urbana do Distrito Federal, que vão desde a ampliação do tempo de integração até obras que prometem desafogar o trânsito em uma das rodovias mais congestionadas da capital: a Estrada Parque Taguatinga (EPTG). Apesar das iniciativas, população não vê solução para o caos.

Duas pontes e um viaduto da EPTG serão ampliados com o empenho de desafogar o trânsito problemático enfrentado por cerca de 140 mil veículos diariamente. Ali, seja dia útil ou não, há gargalos que travam o percurso. No entanto, as maiores dores de cabeça ainda não serão revistas pelo governo.

A intervenção será feita nas pontes sobre os córregos Samambaia e Vicente Pires e sobre o viaduto da ferrovia Centro-Atlântica, no Guará. Nos três trechos, as obras garantirão um aumento de cinco metros nos dois sentidos. Para o governador, isso “vai aumentar, e muito, a fluidez no trânsito”.

As obras devem custar R$ 4,9 milhões, financiadas por empréstimo firmado entre o GDF e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o Programa de Transporte Urbano. O prazo para a entrega é de 120 dias, e vence em 19 de abril de 2018. Não há previsão de interdição de via durante a intervenção. “Vai trazer um benefício à população porque são três gargalos muito complicados na EPTG, estrangulamentos das vias que vão deixar de existir”, diz o secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno.

Israel Pinheiro esquecido

As duas pontes que serão ampliadas estão a menos de dois quilômetros de distância e ficam antes e depois do viaduto Israel Pinheiro, onde está o verdadeiro gargalo. Inaugurado em 2008, a promessa era que o elevado facilitasse o acesso entre a EPTG e Águas Claras, Park Way e Vicente Pires. Hoje, na prática, causa um nó no trânsito.

Na segunda-feira, após uma árvore caída bloquear e prejudicar o trânsito por 18 horas, o JBr. mostrou que o diretor do Departamento de Estradas e de Rodagem (DER) só vê solução para o problema com a construção de viadutos. Para Henrique Luduvice, são necessários dois conjuntos de viadutos nos pontos mais críticos ao custo de R$ 70 milhões cada – mas não há recurso. As obras anunciadas ontem, então, serviriam de cobertor curto para a mobilidade.

Uma hora a mais de integração

A integração do transporte por meio do bilhete único será ampliada de duas para três horas. Nesse período, o passageiro pode fazer até três viagens pagando o máximo de R$ 5. A medida deve beneficiar quem percorre grandes distâncias, mas, pela demora no trajeto, era impedido de utilizar o benefício de forma completa. A mudança vale a partir desta sexta-feira.

A ideia é beneficiar pessoas como a babá Isabela Maiara, 28 anos. Ela mora no Arapoanga, em Planaltina, e trabalha a quase 50 quilômetros de distância, no Lago Oeste. “Todos os dias pego pelo menos quatro ônibus e gasto R$ 20”, conta. A mulher faz baldeação no Colorado, onde pega o segundo transporte. Com o bilhete único que adquiriu ontem, ela fará o trajeto de ida e volta ao custo máximo de R$ 5 e poderá pegar até três coletivos no intervalo de três horas.

Transporte noturno

O serviço de transporte público noturno também sofrerá alterações a partir desta sexta-feira, com criação de linhas e ampliação de acesso. Um circular sairá do terminal de ônibus de Taguatinga Norte para Águas Claras das 23h às 3h30, e três linhas atenderão as regiões do Arapoanga, Paranoá Parque e Riacho Fundo I.

Em janeiro, outras intervenções acontecerão, com ampliação ao Sol Nascente, Lago Norte e Varjão. No mês que vem, os ônibus começam a operar das 23h às 5h.

Terminais rodoviários

Dezoito terminais de ônibus foram reformados ou reconstruídos no DF. O último foi o de Planaltina, após um ano e meio de espera. Ali, onde 91 mil pessoas transitam, há 40 linhas e a primeira reforma desde 1977 custou R$ 4,7 milhões.

Ontem, o GDF assinou uma ordem de serviço para intervenção no Terminal Rodoviário de Sobradinho. Ao custo de R$ 6,5 milhões, a obra deve beneficiar 100 mil pessoas que circulam diariamente no local. A previsão de entrega é no segundo semestre de 2018 e, até lá, haverá um terminal provisório.

Ponto de vista

As obras nas pontes são paliativas, mas a ação deve impactar positivamente a rodovia. É o que acredita o especialista em trânsito Márcio de Andrade. “Qualquer intervenção para que possa fluir mais é válida. Existe um estudo que diz que o trânsito tem memória e, se o veículo reduz a velocidade por segundos, aquilo vai se estender em um tráfego volumoso porque provoca um desencadeamento de retenção”, explica. Para ele, porém, o maior problema na EPTG está no viaduto Israel Pinheiro, onde “é preciso de um estudo para que se consiga fluidez considerável no gargalo de acúmulo de veículos”.

 

Fonte e Imagem: Jornal de Brasília