Sondagem da CNI aponta recuo na confiança empresarial, nas perspectivas de atividade, emprego e investimentos no setor da construção

O setor da construção encerrou setembro com um cenário de maior cautela entre os empresários. Dados da Sondagem Indústria da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram redução da confiança e piora das expectativas para os próximos meses.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial da Construção (ICEI) caiu 1,7 ponto em setembro, passando de 47,2 para 45,5 pontos. Como o indicador permanece abaixo dos 50 pontos, o resultado sinaliza falta de confiança entre os empresários do setor. Esse quadro já se mantém há 21 meses consecutivos.

A pesquisa mostra que a piora ocorreu tanto na percepção sobre o momento atual quanto nas projeções para o futuro. O Índice de Condições Atuais passou de 43,9 para 41,3 pontos, uma redução de 2,6 pontos. Já o Índice de Expectativas recuou de 48,9 para 47,6 pontos.

Na análise da situação atual, a percepção dos empresários sobre as próprias empresas caiu para 44,8 pontos. A avaliação referente à economia brasileira apresentou resultado ainda mais baixo, chegando a 34,3 pontos.

Para os próximos seis meses, as expectativas relacionadas às empresas também diminuíram, embora o indicador ainda permaneça acima da linha de 50 pontos, em 51,4. Já as perspectivas para a economia brasileira ficaram em 39,9 pontos.

Perspectivas de atividade, compras e emprego pioram

Os quatro indicadores utilizados para medir as expectativas da construção apresentaram recuo em setembro.

A queda mais expressiva ocorreu na intenção de compra de insumos e matérias-primas. O indicador caiu 4,3 pontos, passando de 50,1 para 45,8 pontos, resultado que sinaliza uma expectativa de redução nas aquisições durante os próximos seis meses.

As projeções para o nível de atividade também ficaram mais pessimistas. O índice passou de 50,6 para 47 pontos, queda de 3,6 pontos.

Já o indicador relacionado a novos empreendimentos e serviços caiu de 48,7 para 46,1 pontos, permanecendo abaixo dos 50 pontos pelo terceiro mês seguido.

O mercado de trabalho também entrou no campo das expectativas negativas. O índice que mede a projeção para o número de empregados recuou dois pontos, passando de 50 para 48 pontos, indicando possibilidade de redução das contratações no período.

Atividade da construção apresentou retração em agosto

Além das perspectivas mais cautelosas para os próximos meses, os números referentes a agosto apontaram perda de ritmo no setor.

O índice de evolução do nível de atividade caiu de 47,3 para 44,7 pontos, ficando abaixo da média histórica registrada para os meses de agosto.

O indicador relacionado ao número de empregados também apresentou redução, passando de 48,3 para 45,8 pontos. Segundo a pesquisa, esse foi o menor resultado registrado para um mês de agosto desde 2017.

A Utilização da Capacidade Operacional (UCO), que indica o nível de utilização dos recursos produtivos das empresas, ficou em 65% em agosto, redução de um ponto percentual em relação ao mês anterior.

Apesar da queda, o percentual ainda ficou acima da média histórica dos meses de agosto, calculada em 63%. Na comparação com agosto de 2025, entretanto, houve redução de um ponto percentual.

Investimentos também perdem força

Outro indicador que reforça o cenário de cautela é a intenção de investimento dos empresários da construção.

Em setembro, o índice passou de 42,4 para 39,7 pontos, recuo de 2,7 pontos. O resultado representa o menor nível registrado para o mês de setembro desde 2019, quando o indicador havia alcançado 37,2 pontos.

Os números demonstram um ambiente de maior prudência por parte das empresas diante das condições econômicas atuais e das incertezas relacionadas ao desempenho da atividade nos próximos meses.

A Sondagem Indústria da Construção ouviu 313 empresas entre os dias 1º e 11 de setembro de 2026. Participaram da pesquisa 120 empresas de pequeno porte, 128 médias e 65 grandes empresas.

Fonte: Sondagem Indústria da Construção – Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada pela Agência CBIC em setembro de 2026.