Sinapi 0,44% no mês, abaixo do resultado de junho, enquanto custo médio nacional se aproxima de R$ 2 mil por metro quadrado
O custo da construção civil brasileira continuou avançando em julho, porém em ritmo bem mais moderado. O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) registrou alta de 0,44% no mês, desacelerando em relação aos 1,19% observados em junho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar da perda de força na comparação mensal, a pressão sobre os custos permanece relevante. No acumulado de 12 meses, o Sinapi chegou a 7,40%, acima dos 7,26% registrados no período imediatamente anterior. Em julho de 2025, a variação mensal havia sido de 0,31%.
Com o novo resultado, o custo médio nacional da construção passou de R$ 1.976,37 para R$ 1.985,10 por metro quadrado. Desse total, R$ 1.120,13 correspondem aos materiais e R$ 864,97 à mão de obra.
Materiais e mão de obra perdem ritmo
A desaceleração de julho ocorreu tanto nos materiais quanto nos custos com trabalhadores.
Os materiais de construção apresentaram alta de 0,48%, abaixo dos 0,92% registrados no mês anterior. No acumulado do ano, essa parcela registra avanço de 3,88%, enquanto nos últimos 12 meses a elevação chega a 5,81%.
A mão de obra apresentou uma desaceleração ainda mais expressiva. Depois de subir 1,55% em junho, a variação caiu para 0,39% em julho. Segundo o levantamento, o comportamento está relacionado ao menor número de acordos coletivos firmados durante o período.
Mesmo com a redução mensal, o custo da mão de obra ainda mostra uma pressão considerável no horizonte mais longo. A alta acumulada chega a 6,37% no ano e 9,56% em 12 meses, percentual superior ao observado nos materiais.
Esse movimento evidencia que os custos trabalhistas continuam exercendo influência significativa sobre os orçamentos das empresas do setor.
Centro-Oeste lidera aumento entre as regiões
Na análise regional, o Centro-Oeste apresentou a maior variação do país em julho, com alta de 1,18%. Todos os estados da região tiveram aumento nos custos, com destaque para o impacto de reajustes de categorias profissionais em Goiás.
Na sequência aparecem as regiões Norte, com 0,74%; Sul, com 0,69%; Nordeste, com 0,33%; e Sudeste, com 0,19%.
Entre os estados, Goiás registrou a maior elevação mensal, de 2,58%, influenciada por reajustes decorrentes de acordo coletivo e pelo aumento dos preços dos materiais. O Rio Grande do Sul, com avanço de 1,86%, também ficou entre os maiores resultados do período, sob efeito de convenções trabalhistas.
Desaceleração traz alívio, mas custos continuam avançando
A redução da taxa mensal representa um alívio após a forte elevação observada em junho, mas ainda não significa queda nos preços. O custo da construção continua aumentando e já se aproxima da marca média de R$ 2 mil por metro quadrado no país.
Para construtoras, incorporadoras e empresas que atuam em contratos de obras, a combinação entre reajustes salariais e aumento dos materiais permanece como um ponto de atenção na formação de preços e na atualização dos orçamentos.
O cenário reforça a importância do acompanhamento permanente dos índices oficiais, especialmente em contratos de longa duração, nos quais oscilações de custos podem afetar diretamente margens, cronogramas e a própria viabilidade econômica dos empreendimentos.
