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Canteiros de obras mais caros: os vilões que impulsionaram o custo da construção em 2025

O setor da construção civil encerrou o ano de 2025 enfrentando o desafio de equilibrar as contas diante de uma pressão inflacionária persistente nos custos de produção. Dados recentes do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) revelam que, embora o setor tenha mantido um ritmo de crescimento em lançamentos, o preço final das obras foi severamente impactado por um grupo específico de insumos.

Diferente de anos anteriores, onde a mão de obra foi o principal motor de reajuste, 2025 foi marcado pela volatilidade de materiais básicos e produtos tecnológicos aplicados à infraestrutura.

Os protagonistas da alta

De acordo com o levantamento, o aço e o cimento voltaram a figurar no topo da lista de pressões. O aço, influenciado pelas cotações internacionais do minério de ferro e pela variação cambial, registrou altas acumuladas que forçaram construtoras a renegociar contratos de longo prazo.

Além dos materiais tradicionais, outros itens apresentaram variações acima da média:

  • Condutores elétricos e fiação: O aumento global na demanda por cobre elevou o custo das instalações elétricas.
  • Produtos asfálticos e químicos: O setor de infraestrutura sentiu o peso da flutuação dos derivados de petróleo.
  • Acabamentos de alto padrão: Itens importados ou que dependem de componentes eletrônicos (como sistemas de automação) ficaram mais caros devido ao câmbio.

O fator “Mão de Obra”

Apesar da predominância dos materiais, o custo do trabalho não ficou estagnado. A escassez de mão de obra qualificada em grandes centros urbanos pressionou os salários base, especialmente para funções técnicas, como operadores de máquinas pesadas e eletricistas especializados em sistemas sustentáveis.

Impacto no consumidor final

Para o comprador de imóveis, o cenário se traduziu em repasses de preços. Analistas do setor apontam que as margens das incorporadoras ficaram mais estreitas, o que resultou em um aumento no valor do metro quadrado tanto em novos lançamentos quanto em unidades em construção.

“O setor vive um momento de ajuste. O custo dos insumos em 2025 refletiu tanto tensões geopolíticas externas quanto gargalos logísticos internos”, afirma o relatório do Radar Econômico da Veja, que serviu de base para esta análise.

Perspectivas para 2026

A expectativa para o próximo ciclo é de uma estabilização gradual, condicionada à manutenção das taxas de juros e ao controle da inflação de serviços. No entanto, o setor permanece em alerta, buscando alternativas como a industrialização da construção (off-site) e o uso de novos materiais para reduzir a dependência dos insumos tradicionais que ditaram o ritmo de 2025.