O paradoxo do mercado: enquanto canteiros de obras operam em alta capacidade, juros e falta de mão de obra derrubam o otimismo dos empresários para 2026.
Por Redação 06 de janeiro de 2026
O ano de 2025 terminou com um gosto amargo para o planejamento estratégico das construtoras brasileiras. Dados divulgados recentemente pela Fundação Getulio Vargas (FGV) revelam que o Índice de Confiança da Construção (ICST) recuou para 91,4 pontos em dezembro.
Este número representa mais do que uma simples oscilação mensal; é o menor nível registrado desde maio de 2021, transportando o sentimento do setor de volta aos tempos de incerteza da pandemia.
Se você atua na área, deve estar se perguntando: “Como a confiança caiu se vejo obras por todo lado?”. A resposta está em um descompasso entre a atividade atual e as expectativas futuras.
O tripé que freou o otimismo
Apesar dos investimentos em infraestrutura e do aquecimento provocado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, o setor enfrentou uma “tempestade perfeita” de três fatores que impediram uma recuperação consistente da confiança ao longo do ano:
- Escassez de Mão de Obra: A dificuldade crítica de contratar profissionais qualificados tem atrasado cronogramas e inflacionado a folha de pagamento.
- Custos Operacionais: O preço dos insumos continua pressionando as margens de lucro.
- Juros Elevados: O crédito caro inibe novos lançamentos imobiliários e o próprio consumidor final.
Segundo a coordenação de Projetos da Construção do FGV IBRE, o setor passou 2025 inteiro sem conseguir engatar dois meses seguidos de melhora na confiança. A percepção dominante para 2026 é de que o mercado de trabalho continuará pressionado, mantendo o “sinal amarelo” ligado nos escritórios de engenharia.
Juros altos: O inimigo do investimento
Para economistas, a matemática é simples: juros altos funcionam como um freio de mão puxado. Carlos Eduardo Oliveira Júnior, do Conselho Regional de Economia de SP, alerta que o custo do dinheiro inibe o investimento.
Sem crédito acessível, a demanda cai. E sem demanda garantida no horizonte, a confiança do empresário para iniciar novos empreendimentos despenca.
O Lado Positivo: Máquinas a todo vapor
Apesar do pessimismo quanto ao futuro, o presente mostra um setor resiliente e ativo. O dado positivo do relatório da FGV foi o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI), que subiu para 78,5% em dezembro.
O que isso significa na prática? Significa que as construtoras não estão paradas. Pelo contrário, estão usando intensamente seus equipamentos e equipes para entregar o que já foi vendido. O problema não é a falta de trabalho hoje, mas o medo de que o ambiente de negócios piore nos próximos meses.
O que esperar de 2026?
O cenário exige cautela e planejamento financeiro rigoroso. Com a previsão de continuidade na dificuldade de contratação e um cenário macroeconômico desafiador, as empresas que investirem em retenção de talentos e gestão eficiente de custos sairão na frente neste novo ciclo.



