O setor da construção civil brasileira abriu o ano de 2026 com um fôlego renovado. Após encerrar o ano passado em trajetória de queda, o Índice de Confiança da Construção (ICST), medido pelo FGV Ibre, registrou uma alta de 2,8 pontos em janeiro, atingindo a marca de 94,0 pontos.
Este é o patamar mais elevado desde março de 2025, sinalizando uma retomada de otimismo entre os empresários do setor.
Os Motores da Recuperação
A melhora no sentimento do setor não é por acaso. Segundo o relatório da FGV, o crescimento foi impulsionado por uma combinação de fatores macroeconômicos e políticas habitacionais:
- Infraestrutura: Perspectiva de aumento no volume de investimentos públicos e privados.
- Minha Casa, Minha Vida (MCMV): Expectativa de contratações recordes para o programa em 2026.
- Médio e Alto Padrão: Novas regras para o financiamento imobiliário que favorecem as classes de maior renda.
“Tudo indica que o setor está reagindo a um cenário de maior previsibilidade e estímulos diretos”, afirma Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção do FGV Ibre.
Radiografia dos Indicadores
A alta de janeiro foi equilibrada, com avanços tanto na percepção do momento atual quanto nas projeções para o futuro próximo. Confira os detalhes técnicos na tabela abaixo:
| Indicador | Pontuação (Jan/26) | Variação (Pontos) | Destaque |
| ICST (Geral) | 94,0 | +2,8 | Maior nível em 10 meses |
| Situação Atual (ISA-CST) | 93,4 | +2,4 | Volume de contratos cresceu 3,6 pts |
| Expectativas (IE-CST) | 94,6 | +3,0 | Demanda prevista saltou 5,1 pts |
O otimismo mais acentuado aparece no Índice de Expectativas (IE-CST), puxado pela forte demanda prevista para o próximo trimestre, o que sugere que as empresas estão se preparando para um aumento real no volume de obras.
O Gargalo da Mão de Obra
Apesar dos números positivos, o setor ainda enfrenta um “freio de mão” conhecido: a escassez de trabalhadores qualificados. Ana Maria Castelo alerta que esse problema não deve dar trégua ao longo do ano.
Curiosamente, o Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) da construção caiu 1,1 ponto percentual, fechando em 77,4%. Essa queda, que também atingiu o uso de máquinas e equipamentos, pode indicar que, embora haja otimismo e novos contratos, a execução física das obras ainda esbarra em limitações operacionais e na dificuldade de contratação imediata.
O que esperar?
O primeiro trimestre será o “teste de fogo” para validar se essa confiança se traduzirá em canteiros de obras mais movimentados ou se o custo e a falta de mão de obra limitarão o potencial de crescimento do PIB setorial em 2026.



