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Déficit de trabalhadores especializados ameaça crescimento de setores estratégicos no Brasil

Energia e construção civil são os segmentos mais afetados pela carência de profissionais capacitados, segundo o comando da maior siderúrgica do país

O Brasil enfrenta um gargalo silencioso que pode comprometer o ritmo de expansão de setores fundamentais para a economia nacional: a falta de mão de obra qualificada. O alerta foi dado por Gustavo Werneck, presidente-executivo da Gerdau, durante o fórum Rumos 2026, realizado nesta segunda-feira (2) em São Paulo e promovido pelo Valor Econômico.

Para o executivo, a escassez de profissionais capacitados já se traduz em perdas concretas para as empresas. “Muitas vezes não conseguimos aprovar investimentos que recuperem o capital”, declarou Werneck, sinalizando que o problema vai além da contratação — ele impede que projetos saiam do papel mesmo quando há demanda no mercado.

Os setores de energia e construção civil foram apontados como os mais vulneráveis a esse cenário. Ambos vivem um momento de forte aquecimento no país, impulsionados pela transição energética e pelo crescimento do crédito imobiliário, mas dependem de uma base técnica que o mercado de trabalho ainda não consegue suprir em volume suficiente.

Tecnologia como questão de sobrevivência

Além do desafio humano, Werneck colocou a transformação digital no centro do debate sobre competitividade. Para ele, o uso de inteligência artificial deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica de existência no mercado corporativo. “Virou uma questão de sobrevivência”, afirmou.

A declaração reflete uma mudança de postura no setor industrial brasileiro, que por anos tratou a digitalização como investimento opcional. Agora, com margens pressionadas e concorrência global acirrada, empresas como a Gerdau passam a encarar a automação e a IA como ferramentas essenciais para ganhar produtividade e manter a sustentabilidade dos negócios.

Um diagnóstico que vai além da siderurgia

Embora a fala parta do líder de uma das maiores siderúrgicas do mundo, o diagnóstico ressoa em toda a cadeia produtiva brasileira. A combinação entre demanda aquecida, escassez de talentos e pressão por modernização tecnológica traça um retrato desafiador para o empresariado nacional em 2026 — e coloca na pauta a urgência de políticas públicas e investimentos privados voltados à formação profissional.


Matéria elaborada com base em declarações públicas do CEO da Gerdau no evento Rumos 2026.