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Eficiência blindada: Construção aposta em reformas e tecnologia para driblar juros em 2026

Setor busca na profissionalização e no mercado de franquias a saída para manter a atividade aquecida enquanto o crédito imobiliário permanece restrito.


O ano de 2026 começa sob o signo da prudência para a construção civil brasileira. Se nos anos anteriores o “boom” imobiliário foi o protagonista, o cenário atual exige uma mudança de estratégia. Pressionado por uma taxa Selic que ainda encarece o crédito e limita novos lançamentos, o setor encontra fôlego em um nicho que exige menos capital intensivo e entrega resultados mais rápidos: as reformas e a manutenção de imóveis.

A palavra de ordem nos canteiros de obra mudou. Sai a “expansão a todo custo” e entra a eficiência operacional. Com o dinheiro mais caro, o desperdício tornou-se o inimigo número um de construtoras e famílias que decidem renovar o lar.

O paradoxo do crédito e a inflação da obra

O cenário macroeconômico impõe desafios claros. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta os juros elevados como o principal freio de mão puxado para 2026. No entanto, o horizonte não é de estagnação, mas de ajuste.

Existem dois fatores que sustentam o otimismo moderado do setor:

  1. O legado de obras: Empreendimentos lançados em ciclos anteriores estão entrando em fase de execução acelerada, garantindo demanda por materiais e mão de obra até 2027.
  2. Injeção de recursos: Mudanças nas regras do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) podem liberar cerca de R$ 37 bilhões para o crédito habitacional, oferecendo um balão de oxigênio vital para o mercado.

Contudo, quem constrói sente no bolso a pressão dos insumos. O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), medido pelo IBGE, encerrou 2025 com alta de 5,63%. Hoje, o custo médio nacional para se construir um metro quadrado beira os R$ 1.892,00, uma cifra que obriga o consumidor a fazer contas mais rigorosas.

A ascensão do Franchising e a “Servitização” da obra

Diante de custos altos e mão de obra escassa, o amadorismo perde espaço. É nesse vácuo que o modelo de franquias de construção ganha tração. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) revelam que o segmento de Casa e Construção cresceu mais de 8% nos últimos 12 meses, movimentando mais de R$ 20 bilhões.

A lógica é simples: o consumidor prefere pagar por previsibilidade. A locação de equipamentos, por exemplo, surge como alternativa inteligente para evitar a compra de maquinário caro que ficará ocioso após a obra.

“A expectativa é de um ano em que o consumidor e o profissional vão buscar mais planejamento, segurança e eficiência na execução. Quando cada dia de obra custa mais, ganhar produtividade e reduzir retrabalho vira o diferencial.”

Altino Cristofoletti Junior, fundador da Casa do Construtor.

Tecnologia como redutor de custos

Para 2026, a tendência é que a obra se torne cada vez mais “industrializada”. O mercado observa uma migração de métodos artesanais para processos mais técnicos, visando mitigar a falta de pedreiros qualificados e o custo dos materiais.

As principais apostas para blindar o setor contra a crise incluem:

  • BIM e Gestão Digital: Uso de softwares para prever erros antes que eles aconteçam no mundo físico.
  • Construção a Seco e Modular: Métodos que reduzem o tempo de canteiro e o desperdício de resíduos.
  • Retrofit: A modernização de prédios antigos ganha força em grandes capitais, sendo mais barata e sustentável do que construir do zero.

O recado para 2026 é claro: o mercado imobiliário continuará forte, mas a rentabilidade migrará de quem apenas “levanta paredes” para quem oferece serviço, gestão e tecnologia. Em tempos de juros altos, a régua da qualidade subiu.