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Insumos da construção civil disparam até 35% e setor teme paralisação de obras

Turbulências no mercado internacional de petróleo impulsionam reajustes em tubos de PVC e outros materiais essenciais; CBIC alerta para risco ao Minha Casa, Minha Vida

Brasília, 30 de março de 2026

O setor da construção civil brasileiro amanheceu abril com uma conta mais salgada. Fabricantes como Tigre, Orbia, Fortlev e Plastubos já formalizaram reajustes entre 15% e 35% em materiais essenciais, com destaque para tubos e conexões de PVC. Em alguns casos, a pressão foi além do preço: houve suspensão temporária de vendas por escassez de insumos. Poder360

O gatilho é a disparada do petróleo no mercado internacional, commodity que alimenta toda a cadeia petroquímica responsável pela produção do PVC e de outros derivados amplamente usados nas obras. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) publicou nota de alerta atribuindo a nova onda de reajustes aos efeitos das “turbulências globais” que pressionam os preços da commodity. Idealista

Os números dos reajustes

A Tigre anunciou alta de 16% em todo o portfólio de tubos e conexões, com vigência a partir de 11 de abril. A Plastubos sinalizou reajuste de até 15% a partir de 16 do mesmo mês. Já a Pevesul suspendeu temporariamente as vendas para rever suas condições comerciais, e a Daqua interrompeu pedidos desde 18 de março para reavaliar o cenário. Poder360

Além do PVC, outros insumos também pressionam o orçamento das obras. A CBIC confirmou aumentos em cimento, argamassa e materiais logísticos, com o encarecimento do diesel pesando diretamente sobre o frete. Poder360

Saneamento e habitação popular na linha de frente

O impacto não se restringe às obras privadas. A CBIC alertou que o PVC é um dos poucos insumos presentes em todas as etapas de uma obra — da fundação à entrega — e que o setor de saneamento básico também deve sentir forte repercussão negativa, já que o PEAD, derivado da mesma resina, vem substituindo progressivamente as tradicionais tubulações de concreto e ferro fundido. Poder360

O programa Minha Casa, Minha Vida, carro-chefe da política habitacional do governo federal, está diretamente na linha de fogo. A entidade declarou que a meta de entrega de 3 milhões de residências até o final do ano se tornou um objetivo desafiador diante do atual cenário de custos. Poder360

A preocupação é reforçada por análises do mercado financeiro. Segundo relatório do Itaú BBA, a escalada nos preços dos materiais tende a afetar principalmente as construtoras que atendem o segmento de baixa renda, responsável por quase metade das vendas de imóveis novos no país. Um dos nós do problema é que os custos continuam subindo mesmo depois que as empresas já fixaram seus preços de venda — uma equação que corrói margens e pressiona cronogramas. Idealista

Setor pede atenção do governo

Com a pressão vindo de fora e se espalhando pela cadeia produtiva doméstica, o setor aguarda posições do governo federal sobre eventuais medidas de contenção. A CBIC reforçou a importância estratégica do PVC para a construção habitacional e de infraestrutura no Brasil, defendendo que o material é mais leve, mais seguro e ambientalmente menos impactante do que alternativas tradicionais — o que torna sua substituição por outros insumos uma saída pouco viável no curto prazo.

Por ora, construtoras, incorporadoras e pequenos empreiteiros observam os comunicados dos fornecedores com preocupação — e começam a recalcular planilhas de obras que, há poucos meses, pareciam equilibradas.


Reportagem baseada em informações da CBIC, de fornecedores do setor e de fontes especializadas em mercado imobiliário.