Alto custo dos insumos para a Construção Civil

Desde o início da pandemia estamos notando um crescente aumento nos custos dos insumos relacionados a Construção Civil e está elevação nos produtos como cimento, aço, areia, fios, tubulação e outros, ficou evidente na retomada dos negócios imobiliários após a flexibilização da quarentena. Na realidade, nosso setor foi o único que em diversos Estados, não houve paralisação, mantivemos a economia, gerando empregos e suportando boa parte do peso desta crise ocasionada pela COVID19.

Esta situação ainda deve se estender até meados do primeiro semestre do ano que vem, porém, o setor está sendo sufocado com os aumentos e o desabastecimento de materiais, que a muito tempo perderam o controle e agora crescem em um ritmo descomunal.

Sem previsão de estabilidade nos aumentos, o movimento de alta segue em vigor, conforme mostra o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De forma geral, o INCC em outubro avançou 1,50% até o segundo decênio do mês, mostrando uma aceleração frente aos 0,98% registrados no mesmo período de setembro. Com isso, o INCC chegou a 6,14% no ano e 6,44% em 12 meses.

Na prática, de Estado para Estado, o preço final dos insumos varia ainda mais. Por isso, fizemos uma pesquisa local com empresas que estão atuando no DF e elaboramos cartas que foram encaminhadas para o Governador, Secretarias  de Educação, de Economia, de Obras, de Saúde, para o secretário de governo do DF, Casa Civil, DER/DF, Terracap, TCDF e o SESC/DF na intenção de alertar sobre os previsíveis impactos no andamento das obras locais. E que só não foi maior em Brasília, devido a ação do nosso governador, Ibaneis Rocha, que garantiu o prosseguimento das atividades de construção civil.

Boa parte dessa pressão vem do grupo materiais, equipamentos e serviços, com elevação de 3,04% no segundo decênio de outubro ante 2,02% no mesmo período de setembro. No ano, o crescimento desse grupo atingiu 10,84% e, em 12 meses, foi a 11,19%, conforme pesquisa realizada pela FGV.

A Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco) em conjunto com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon/DF) tem buscado respostas de todos os órgãos na tentativa de se atualizar os valores que servem como base para a contratação pública, que, infelizmente, não acompanham o mesmo ritmo dos aumentos.

Claramente o superaquecimento desses itens é reflexo de uma distorção nas relações entre oferta e demanda. Entendemos que houveram paradas da indústria e produção dos produtos por causa da pandemia e uma retomada muito forte e rápida da demanda com o arrefecimento da quarentena. Isso causou uma distorção surreal, nunca antes imaginada. A oferta da indústria não conseguiu acompanhar a demanda no mesmo ritmo.

A Construção Civil em Brasília é responsável por 60% do PIB da indústria local, por isso nosso pleito junto ao GDF é para o imediato reequilíbrio econômico-financeiro das obras em andamento e revisão de preços das planilhas orçamentárias de licitações públicas ainda não lançadas. Apoiamos a atual gestão do DF, pelo caráter empreendedor que vem sendo imprimido, visível pelo lançamento de centenas de obras num curto período de mandato, mas precisamos estabilizar a base que vem segurando a crise, a Construção Civil.

Luiz Afonso Delgado Assad

Presidente da ASBRACO